Rio, 29 (AE) - A presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Leila Oda, defendeu hoje a participação de empresas multinacionais de biotecnologia no patrocínio do 1.º Congresso Brasileiro de Biossegurança, realizado no Rio. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e o Greenpeace considerou a "conduta imoral". As duas entidades deram entrada ontem (28) em representação no Ministério Público contra a CTNBio - órgão público encarregado de analisar e aprovar os transgênicos - por causa do apoio financeiro dado ao evento por quatro das maiores produtoras mundiais de sementes transgênicas: Novartis, AgrEvo, Dupont e Monsanto.
"Essa questão é absurda e ilógica, porque a Associação Brasileira de Biossegurança (entidade que promove o congresso juntamente com a CTNBio, da qual também é presidente) é uma sociedade científica que tem de trabalhar com os diferentes segmentos da sociedade, sejam públicos ou privados", afirmou. O evento é promovidos por cinco entidades: as quatro já citadas e a Associação Nacional de Odontologia.
"Se eu por acaso aceitar o apoio de uma Organização Não Governamental (ONG) como o Greenpeace, que foi convidado para participar do congresso, isso quer dizer que vou defender os interesses das ONGs? Minha posição é técnica e isenta." Segundo Leila, o congresso, realizado de domingo até hoje, não teria ocorrido sem o patrocínio das empresas.
"Recebemos apoio para a realização desse encontro de órgãos como as Nações Unidas, o que deixa indica transparência total de nossa prática", afirmou. "Um congresso científico da área farmacêutica, por exemplo, recebe apoio da indústria farmacêutica, mesmo que tenha apoio de um órgão do governo; não há problema ético algum, as contribuições para a realização do evento estavam abertas."

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