Brasília, 14 (AE) - O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos Deputados, Magno Malta (PTB-ES), disse que não há mais tempo hábil para abrir investigações sobre a suposta participação de advogados no tráfico de drogas no Rio. O deputado disse que a CPI tem de se concentrar nos assuntos que vinha investigando.
A CPI recebeu um levantamento da Secretaria de Justiça do Estado, mostrando que alguns traficantes recebem até nove visitas diárias de advogados. Malta disse que a CPI poderá enviar a lista para o Ministério Público (MP) e a Polícia Federal (PF), o que vai depender de uma reunião. Magno afirmou que há centenas de sigilos telefônicos, fiscais e bancários quebrados e não haveria tempo para investigar advogados no Rio.
Em junho, a CPI tinha recebido um levantamento do Serviço de Inteligência da Polícia Militar do Rio (PM-2), dando os nomes dos advogados que têm a função de "pombo-correio" no tráfico de drogas - fazer a ligação entre os traficantes nos presídios e os do morro. Os parlamentares não receberam notícia sobre ações concretas para reprimir este novo braço do tráfico.
O novo levantamento entregue à CPI foi feito a partir de um balanço das visitas dos advogados aos clientes deles. Somente em 28 de maio, o traficante Ernaldo Medeiros, o "Uê", recebeu a visita de nove advogados no Complexo de Bangu. O traficante, segundo o levantamento, tem 22 advogados. Algumas visitas duram até mais de uma hora.
Os traficantes Márcio dos Santos Nepomuceno, o "Marcinho VP", e José Carlos dos Reis Encina, o "Escadinha", têm 18 advogados cada, com quem mantêm contatos diários. Os traficantes Adlas Ferreira e Charles da Silva Batista têm 16 advogados cada. Muitos advogados trabalham para mais de um traficante.
Malta disse que o mais preocupante de tudo isto é que não há registros de trabalhos jurídicos registrados por alguns destes advogados nos tribunais. "Tem advogado que nunca fez uma petição para o traficante", disse Magno. O levantamento deixa claro que, quanto maior a área de abrangência de distribuição de droga do traficante, maior é o número de advogados dele.
A avaliação feita por vários parlamentares da CPI do Narcotráfico é que não dá para investigar alguns fatos sem o apoio concreto do governador do respectivo Estado. A avaliação quase geral dos parlamentares é que a CPI, ao longo dos trabalhos, só recebeu apoio concreto dos governadores do Acre, Jorge Viana (PT), e do Maranhão, Roseana Sarney (PFL). Foi justamente nestes dois Estados que a CPI teve mais êxito, desbaratando quadrilhas e prendendo chefes do crime organizado.

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