Presidente da CPI diz estar convencido de ligação entre Hildebrando e traficante
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segunda-feira, 01 de novembro de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 02 (AE) - O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, deputado Magno Malta (PTB-ES), disse hoje, ao desembarcar no Aeroporto Santos Dumont (centro do Rio), estar "convencido" da ligação entre o ex-deputado Hildebrando Pascoal (PFL-AC), cassado em setembro por causa das acusações de envolvimento com o tráfico de drogas e o esquadrão da morte no Acre, e o traficante foragido Luiz Fernando da Costa
o Fernandinho Beira-Mar, apontado como o responsável pelo fornecimento de 40% da droga que entra no Rio.
"O Fernandinho é um dos nomes mais importantes do narcotráfico no País hoje, depois da prisão de Hildebrando, e fará um serviço ao Brasil se prestar depoimento à CPI", disse Malta, que reafirmou estar disposto a negociar com o Ministério Público a redução das penas (nove anos em Minas Gerais e doze, no Rio) do traficante, caso ele colabore com as investigações.
Cada um dos onze integrantes da CPI está recebendo proteção de dois agentes da Polícia Federal. Amanhã eles farão uma operação no Porto do Rio e na Baía de Guanabara. Amanhã, serão recebidos pelo governador Anthony Garotinho (PDT) e a cúpula das Polícias Civil e Militar, de manhã, e pelo prefeito Luiz Paulo Conde (PFL), no início da tarde. A permanência dos deputados na cidade está prevista para durar 48 horas. "Mas um fato como o depoimento de Fernandinho pode mudar o roteiro", admitiu o presidente da CPI, apesar de advogados do criminoso já terem dito que ele não deverá apresentar-se, porque não poderia ser enquadrado no Programa de Proteção às Testemunhas.
O deputado disse estar com "grande expectativa" para o encontro com Garotinho. "Queremos saber se eles têm outras informações." O coordenador de Segurança Pública do Estado, Luiz Eduardo Soares, admitiu que o relatório enviado para a CPI estava "realmente muito fraco, por causa da desorganização e do caráter artesanal do órgão", mas disse que há investigações em curso que poderão contribuir para o trabalho. "Esse encontro será proveitoso, espero que, a partir de agora, haja comunicação direta com os investigadores da CPI." O coordenador não vê a ação da comissão como uma interferência no trabalho do governo estadual. "Não temos que ter espírito corporativo defensivo, quanto mais ajuda a gente tiver, melhor, eles serão sempre bem-vindos.", disse. "Quem deve ficar em situação desconfortável são os criminosos."


