Rio, 24 (AE) - O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Publicidade Estadual da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Carlos Minc (PT), disse hoje que investigará a possibilidade de parte do dinheiro gasto pelo Executivo fluminense em propaganda em 1998 ter sido desviada para pagar campanhas publicitárias do PSDB, partido que dirigia o governo passado. A suspeita fortaleceu-se depois que o publicitário Luiz Nonato, um dos sócios da agência Euso/Década, contou que as cinco empresas contratadas para fazer a publicidade do Estado subcontrataram, a pedido do governo, a agência A2CM, pertencente ao publicitário Duda Mendonça, responsável pela campanha política tucana.
"Nosso interesse é saber se o contribuinte pagou a conta da propaganda de um partido", disse Minc. Nonato prestou depoimento hoje à CPI da Assembléia Legislativa do Rio. Ele disse que o então secretário da Fazenda, Marco Aurélio Alencar, filho do ex-governador Marcello Alencar (PSDB), pediu que as agências contratassem a A2CM ou outra empresa, cujo nome não recordava, alegando que ela prestaria assessoria de marketing político e coordenaria a propaganda do Estado. Segundo Minc, os contratos assinados pelas cinco empresas com a A2CM eram iguais e estabeleciam que ela receberia por mês R$ 92 mil fixos, mais 50% de todas as comissões pagas pelo Estado à contratante. Com isso, em1998, a Euso/Década, dos R$ 3 milhões que recebeu, pagou à empresa de Duda Mendonça R$ 1,8 milhão, afirmou Nonato.
Outro ponto obscuro que o parlamentar quer esclarecer é a atuação do empresário Cláudio Bens, outro sócio da Euso/Década
no caso. No início do governo passado, afirmou o deputado, Bens vendeu as cotas que tinha da agência e foi nomeado subsecretário de Planejamento do Estado, onde participou do Programa Estadual de Desestatização. Em 1997, deixou o cargo e recomprou a participação na agência, que, em 1998, ganhou metade de toda a verba publicitária gasta pelo Rio, de acordo com Minc.
A CPI também investigará, afirmou o parlamentar, a possibilidade de superfaturamento de serviços prestados por fornecedores às agências. Na primeira sessão da CPI, na semana passada, o secretário de Comunicação Social do governo atual, Carlos Henrique Pena, afirmou ter examinado 106 contratos e encontrado gastos muito acima do normal em todos. Em alguns casos, segundo Pena, o superfaturamento passou de 100% do valor.

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