Belo Horizonte, 07 (AE) - A visita do presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos Deputados, Magno Malta (PTB-ES), em Belo Horizonte, hoje, teve como objetivo colher informações sobre o inquérito da fuga do traficante Fernando Beira-Mar.
"Vou levar o inquérito para Brasília", informou ele. "Todos os envolvidos, desde a prisão até a fuga, deverão ser ouvidos." O traficante carioca foi preso e condenado a 12 anos de detenção em julho de 1996. Depois de nove meses, em março de 1997, escapou misteriosamente do Departamento de Operações Especiais do Estado de Minas Gerais (Deoesp). No inquérito, pelo menos dez policiais foram indiciados - todos que trabalhavam na equipe de plantão no dia da fuga -, mas apenas um foi expulso.
Acompanhado de outros dois integrantes da comissão, Malta teve uma agenda apertada em Belo Horizonte. Ele esteve com o secretário da Segurança Pública do Estado, Mauro Lopes; o superintende regional da Polícia Federal (PF), Roberto Scalize; o juiz da Vara de Tóxicos Eli Lucas de Mendonça, e os membros da CPI estadual do Narcotráfico.
A reunião mais demorada foi com o titular da vara especializada em tóxicos. Foi o juiz quem condenou Beira-Mar em 1996 e também quem tomou, há duas semanas, o depoimento de Luciana Assis, ex-amante do traficante Roni Peixoto, braço direito do carioca em Minas Gerais.
"Esse encontro foi muito importante", comentou Malta, que repassará aos integrantes da CPI as informações que ouviu do juiz. O deputado evitou criticar a ação da polícia mineira, mas classificou de "mirabolante" e "muito estranha" a fuga de Beira- Mar. "Só se ele fosse o Mister M ou tivesse o corpo glorificado." Ele afirmou que deverá pedir a quebra de sigilo bancário dos indiciados no inquérito e recomendou que a comissão estadual comece os trabalhos com esta iniciativa.
Surpreso com o que ouviu de Malta, o secretário da Segurnça Pública de Minas Gerais comentou que o inquérito sobre a fuga de Beira-Mar poderá ser reaberto, se surgirem fatos novos. O Ministério Público (MP), neste caso, poderia pedir novos depoimentos. "Minas não tinha noção da ordem de grandeza desse sujeito quando ele foi preso", comentou o secretário.
Durante a visita a Minas Gerais, Malta salientou que a CPI do Narcotráfico não terminará em pizza, até porque vários suspeitos foram presos em consequência da apuração da comissão. "Esta CPI é obstinada, tem o coração pintado de verde-amarelo." O deputado defendeu ainda a criação da "narcotaxa", um tributo destinado ao combate ao crime organizado no País.
"Qualquer coisa inteligente para ajudar é importante", disse. A proposta dele é criar um imposto de 5 reais cobrado em conta telefônica de quem tem renda superior a oito salários mínimos. Quem tem renda entre três e oito salários pagaria 1 real em conta telefônica. Os recursos do imposto seriam administrados por um conselho de representantes.

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