Presidente da CNBB quer expor a FHC descontentamento do povo com governo
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Milton Bridi, especial para a AE 
Indaiatuba, SP, 23 (AE) - O bispo de Pelotas (RS) d. Jayme Chemello, eleito presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), pretende dizer ao presidente Fernando Henrique Cardoso, na reunião que manterácom ele nos próximos dias, que os brasileiros "não estão contentes" com a atuação do governo federal. A opinião representa a posição dos bispos que estiveram reunidos na 37ª Assembléia Geral da entidade, encerrada hoje no Mosteiro Itaici, no município de Indaiatuba, interior de São Paulo.
A data da audiência não está definida, mas deverá ocorrer antes do encontro que a nova diretoria da CNBB terá com o papa João Paulo II, em Roma, previsto para o início de maio. "O presidente é um político inteligente e sabe que precisará trabalhar em conjunto para resolver os problemas que o País atravessa", pregou o bispo. D. Jayme acredita que não terá dificuldades para ser recebido pelo presidente da República - o bispo chegou a dizer recentemente que durante os oito meses em que respondeu interinamente pelo cargo vinha mantendo conversas mensais com Fernando Henrique -, mesmo depois das críticas que surgiram durante os dez dias de trabalho da assembléia sobre atuação do governo nas áreas social e econômica.
O presidente da CNBB reapareceu hoje, bem disposto e humorado, após ficar ausente por dois dias, devido a uma forte gripe. O bispo disse que foi castigado por não ter tomado a vacina contra a doença que o Ministério da Saúde está distribuindo gratuitamente. "As coisas de graça neste País são raras. Devemos aproveitar, quando isso acontece". Pressão - D. Marcelo Carvalheira, eleito vice-presidente, disse que a igreja apóia os movimentos que reivindicam mais dignidade às pessoas, como fazem os sem-terra e sem-teto. O bispo afirmou que é um direito de cada cidadão se organizar para pedir melhorias, mesmo sob pressão. "A Igreja só não concorda com as pressões violentas", completou. Os sucessivos planos econômicos adotados pelos governos nos últimos anos também foram criticados pelos bispos no documento final apresentado hoje em Itaici. "As nossas maiores autoridades são quase todas elas de economistas"
disse d. Marcelo. "Eles precisam também saber ouvir e abrir as discussões para encontrarmos, em conjunto, uma solução para os problemas", acrescentou.
No documento final, os bispos reafirmam ainda a necessidade de se fazer uma reforma agrária mais eficiente, pedem ações mais concretas sobre os problemas da seca, no Nordeste, como a educação e o combate à corrupção eleitoral. Faz crítica ao trabalho infantil, à violência que se multiplica através de sequestros, assaltos e assassinatos, além do tráfico e uso de drogas. O documento condena também o aborto e a pena de morte.


