Brasília, 25 (AE) - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jayme Chemello, comparou hoje a Câmara dos Deputados e o Senado Federal a um "paraíso" distante do povo e criticou a política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, em especial as privatizações da telefonia. A Igreja Católica não concorda com a revisão do sistema de filantropia, que reduziu isenção de impostos.
"Você já entrou nas casas do governo?, Senado, Câmara dos Deputados, isso aí não é o Brasil, é um paraíso", disse dom Chemello em entrevista convocada pela CNBB para abordar assuntos como a campanha da fraternidade, o processo de evangelização e denúncia de agressão aos sem-terra no Paraná. Segundo dom Chemello, falta "sensibilidade" ao poder público para atender os interesses das pessoas "mais pobres" no País. O bispo criticou principalmente a falta de políticas públicas para a geração de empregos e aumento de salários. "O povo brasileiro só sabe que está passando fome", disse, "que o salário não dá para comer".
O presidente da CNBB criticou também o presidente Fernando Henrique Cardoso, pelas mudanças que atingiram entidades filantrópicas, muitas delas dirigidas pela Igreja Católica. Dom Chemello afirmou que é necessário separar a "filantropia da pilantropia". Segundo ele, o governo tratou pessoas inescrupulosas da mesma forma que tratou pessoas sérias.
Dom Chemello deixou claro que a Igreja não aceita o argumento de que o governo perde com arrecadação de impostos ao conceder benefícios às entidades filantrópicas. O bispo afirmou que a Igreja Católica está concedendo bolsas de estudo grátis e assistindo os pobres. "Sempre se acha recursos quando há banco no meio", disse. Ele criticou ainda o argumento sobre inexistência de recursos. "Onde está o dinheiro do povo, das privatizações?", disse. Além de não ter revertido o dinheiro em favor da sociedade, disse o bispo, o governo também não garantiu bons serviços. "O serviço continua pior", disse, citando a Telefônica como exemplo.
O presidente da CNBB encontrou-se na terça-feira com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o bispo, eles conversaram sobre a filantropia. Fernando Henrique, disse dom Chemello, apresentou uma defesa "não muito feliz" ao dizer que a Igreja não deveria se envolver em alguns assuntos. Dom Chemello afirmou que todo cidadão tem o direito de criticar o governo. "Parecia que ele nos tirava o direito de cidadão", disse dom Chemello.

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