Presidente da CNA defende plantio de transgênicos
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domingo, 02 de maio de 1999
Por Mariângela Heredia 
Brasília, 03 - O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, defendeu hoje o plantio imediato de plantas transgênicas, sob pena de os produtores rurais perderem a tecnologia que vem sendo adotada em todo o mundo. Para ele cabe ao mercado decidir pelo uso ou não dos produtos transgênicos.
Salvo não vê fundamento no debate sobre o assunto. "É uma discussão de país subdesenvolvido, minorias ideológicas e do Primeiro Mundo malandro", disse, referindo-se a uma parcela dos europeus que, apesar de defenderem a proibição dos transgênicos no Brasil, aprovaram o plantio em seus países. Dados da CNA revelam que em 98 França e Espanha, por exemplo, aprovaram o plantio comercial de milho resistente a insetos.
Risco - O presidente da CNA defendeu a rotulagem apenas para os produtos não-transgênicos. Disse ter sido "mais do que constatado" em outros países que o plantio de transgênicos não oferece perigos à saúde e ao meio ambiente, pois no caso da soja
por exemplo, a aprovação veio do FDA (Food and Drug Administration). "É claro que risco zero não existe, e se a pessoa temer o risco dos transgênicos também deve pensar antes de sair de cas."
Antônio Ernesto de Salvo lamentou que se perca tempo no País com a polêmica sobre a liberação ou não dos transgênicos e atribuiu os diferentes pontos de vista da Europa e dos Estados Unidos à guerra comercial entre os países. "No dia em que a Europa desenvolver seus produtos transgênicos isso vai mudar", apostou.
O chefe do Departamento de Comércio Exterior da CNA, Antônio Donizeti Beraldo, acredita que o Brasil não terá como resistir aos transgênicos. "É um processo inexorável, pois não podem nos condenar ao subdesenvolvimento tecnológico", afirmou. Segundo ele, o plantio de produtos geneticamente modificados vem crescendo em escala vertiginosa em todo mundo, saindo de 1,7 milhão de hectares cultivados em 1996 para 35 milhões de hectares este ano, o mesmo tamanho de toda a área plantada com grãos do Brasil.
Beraldo afirma que o plantio de transgênicos reduz os custos de produção principalmente pela diminuição do uso de agrotóxicos. "Enquanto na soja tradicional se faz três aplicações de herbicidas na transgênica é preciso aplicar o produto apenas uma vez", explicou. De acordo com a CNA, o custo dos agrotóxicos na produção de soja corresponde a 18,2% do total e com a utilização dos transgênicos essa parcela é reduzida à metade.
Para o ministro da Agricultura, Francisco Turra, o plantio dos transgênicos é mesmo só uma questão de tempo. "Por enquanto o plantio está proibido pela Justiça", lembrou. ).


