Presidente da CET admite: companhia não está preparada para grandes problemas
São Paulo, 01 (AE) -O presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Nelson Maluf El-Hage, admitiu hoje que a empresa não está preparada para enfrentar grandes problemas como o transbordamento do Córrego Morro do S, na Vila Andrade, zona sul de São Paulo. A água alagou centenas de casas e cobriu várias das ruas da região na tarde de segunda-feira, invadindo também as pistas da Marginal do Pinheiros na altura da Ponte João Dias.
A CET não interditou o local a tempo de evitar que carros ficassem submersos. "Só temos condições de acompanhar os pontos críticos, onde sempre ocorrem problemas", justificou El-Hage. Segundo ele, a companhia trabalha com estatísticas de locais de alagamentos e está pronta para agir apenas nestes trechos. "Não tenho bola de cristal para saber onde vai transbordar um rio."
Como o Córrego Morro do S não fazia parte dos levantamentos, os motoristas ficaram desassistidos. Alguns veículos ficaram presos em plena Marginal do Pinheiros, apesar de a CET ter um esquema especial de interdição montado para as duas Marginais. No caso de enchentes, marronzinhos têm de agir rápido para bloquear todas as pistas alagadas.
Sem monitoramento - Não foi o que ocorreu na segunda-feira. El-Hage afirmou que não existe monitoramento no trecho da Marginal do Pinheiros próximo da Ponte João Dias. Nenhum funcionário da companhia permanece durante o dia naquele ponto para acompanhar as condições do trânsito e, por isso, não é possível saber se há alagamento. Segundo o presidente da CET, só carros da empresa passam pelo local em determinados períodos.
Ele atribuiu o transbordamento do Córrego Morro do S a uma fatalidade. "Quando poderíamos imaginar que isso ia acontecer?", indagou El-Hage. Ele disse que a água do córrego - próximo da Avenida Giovanni Gronchi - nunca havia transbordado daquela maneira. "Onde eu sei que tem problema, acrescento ao mapeamento", afirmou El-Hage. "Onde eu for pego de surpresa, não posso fazer nada."
A Avenida Aricanduva, na zona leste, ficou alagada com as chuvas da tarde de ontem. Mesmo mantendo acompanhamento constante da via, os funcionários da CET não conseguiram bloqueá-la a tempo de evitar que alguns carros fossem atingidos pela água. Um dos pontos críticos foi o cruzamento da avenida com a Rua Tumucumaque. A companhia acompanha o tráfego no local com uma câmera e dois carros. Também mantém plantão permanente na área da Ponte Aricanduva, na Marginal do Tietê.





