Presidente da Cemig depõe em CPI e diz que Estado tem posição desconfortável
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Renato Andrade 
Belo Horizonte, 10 (AE) - O novo presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Djalma Morais, que representa o governo mineiro na empresa, afirmou que o Estado está em uma posição "desconfortável" na diretoria e no Conselho de Administração da empresa. Segundo o presidente, apesar do Estado deter 51% das ações ordinárias da energética, existe uma dependência junto ao grupo de sócios estratégicos. "Para algumas decisões precisamos ter seis votos a favor na diretoria e oito votos no conselho, maioria que não temos", disse.
Morais foi o primeiro convocado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) constituída pela Assembléia Legislativa de Minas para investigar possíveis irregularidades na venda de 32,9% das ações ordinárias da energética mineira, ocorrida em maio de 1997. O novo presidente da Cemig respondeu perguntas dos membros da CPI por cerca de 2h30. A maioria das perguntas não foi respondida.
Morais justificou que ainda não conhecia em detalhes as estratégias e políticas da empresa. Por três vezes o novo presidente da Cemig se referiu à empresa como "Telemig", empresa da qual ele foi presidente pouco antes de assumir o Ministério das Comunicações na época em que o governador Itamar Franco estava na presidência da República. Os deputados questionaram qual era o papel "estratégico" dos novos sócios da Cemig, um grupo formado pelas empresas norte-americanas Southern Company, AES e o banco Opportunity. Morais não soube definir qual tem sido a participação do grupo na energética mineira, mas deixou claro que as empresas podem trazer tecnologia e conhecimento para o corpo técnico da Cemig. Morais afirmou ainda que nos últimos dois anos o Estado tem recebido mais dividendos da empresa do que vinha recebendo nos últimos anos.
Apesar de dizer que o Estado de Minas está em posição desconfortável, Djalma Morais garantiu que até agora não houve nenhum veto por parte dos novos sócios para projetos ou propostas de investimentos feitas pelo governo mineiro. A principal preocupação dos deputados se referia aos investimentos na área social. Morais garantiu que dos R$ 500 milhões de investimentos previstos para este ano, cerca de 5%, no mínimo, serão destinados para esta área, concentrando em projetos para atendimento da população de baixa renda e em programas de eletrificação rural. O próximo convidado a depor na CPI será o ex-presidente da Cemig Carlos Eloy. O depoimento de Eloy está previsto para a próxima quarta-feira (17), a partir das 15 horas
na Assembléia Legislativa de Minas.
Morais disse durante o depoimento que o governo mineiro está discutindo com os novos sócios da Cemig a redefinição acionária dentro da empresa Infovias, uma subsidiária da energética mineira que está sendo criada para desenvolver negócios na área de telecomunicações. O primeiro acordo de composição acionária deixa cerca de 49,75% das ações desta empresa para o Estado de Minas Gerais, 48,25% para a AES - um dos sócios estrangeiros da Cemig - e 1% para o Clube de Investimentos dos Empregados da energética e 1% para o Forluz, o fundo de previdência privada da estatal. Apesar desta composição a AES terá o direito de indicar o presidente e terá maioria dos assentos no Conselho de Administração desta subsidiária. Segundo Morais, o governo mineiro entende que, como detentor da infra-estrutura desta nova empresa, tem o direito de indicar o presidente e ter a maioria junto ao Conselho. Morais não precisou quando estará definido, ou não, esta mudança na composição acionária da subsidiária.


