Presidente da CDHU nega irregularidade em mutirão
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Ricardo Osman 
São Paulo, 22 (AE) - O presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do Estado de São Paulo, Goro Hama, negou hoje, em depoimento de seis horas à Comissão de Fiscalização e Controle da Assembléia Legislativa, qualquer tipo de irregularidade no programa de construção de moradia em regime de mutirão. Ele citou a construção do Empire State, famoso edifício de Nova York, para justificar o tipo de tecnologia (a de pré-moldados) usada no programa, que exige a participação de empreiteiras.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) rejeitou 15 contratos deste programa e constatou que, em 34 mutirões, apenas duas empresas (Via Engenharia e a CBPO) foram beneficiadas com a encomenda de pré-moldados. "Nós não contratamos nenhuma destas empresas", garantiu Hama, observando que isto é uma atribuição das associações responsáveis pelas obras. "Creio que, em cerca de 35% dos mutirões, se esteja utilizando este processo de construção de pré-moldados", acrescentou. "Alias, pré-moldado já há no mundo há muito tempo; o Empire State foi construído há uns 60 anos atrás, sei lá, e aquilo tudo é feito de pré-moldados." Hama argumentou que, apesar do nome mutirão, o projeto pode incluir a contratação de empresas. "Não podemos fazer com que as pessoas sejam escravizadas a construir numa fórmula tijolo sobre tijolo", afirmou. "Isso está superado, as pessoas compram as partes e montam." Na avaliação dele, "o TCE
em nenhum momento, acusou qualquer tipo de superfaturamento" nos contratos. Sobre os processos da CDHU neste tribunal e no Ministério Público (MP), o atual presidente alega que responde pela herança dos antecessores. "São 140 processos no TCE, mas 97% são contratos anteriores à minha chegada", garantiu.
Deputados aliados ao governo elogiaram o depoimento de Hama, mas a oposição não saiu convencida. "Não me convenço que somente estas duas empresas foram escolhidas pela população nos programas do mutirão", falou o deputado Henrique Pacheco (PT).


