Presidente da Câmara Municipal reafirma apoio à CPI
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 11 (AE) - O presidente da Câmara Municipal, Armando Mellão (PPB), que controla politicamente a Administração Regional de São Miguel e foi citado recentemente pelo ex-fiscal João Augusto da Rocha, reafirmou o seu apoio à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), deixou claro que não vai ceder a nehuma eventual pressão e não vai admitir uma "caça às bruxas". "Saibam que agirei como magistrado. Vou lutar pela verdade. E verdade é não fazer vistas grossas para a bandalheira", disse.
Depois que Rocha declarou à polícia que parte da propina cobrada dos camelôs na região de São Miguel era entregue a assessores de Mellão, o presidente da Câmara admitiu em conversas reservadas ter sido pressionado por membros de seu partido por ter anunciado publicamente apoio à CPI da Máfia dos Fiscais. "Não concordo que qualquer pessoa agora aproveite-se desse momento para vingar-se de eventuais inimigos políticos", afirmara Mellão. Ele referiu-se ao fato de Rocha ter sido afastado da Regional de São Miguel por denúncias de comerciantes e camelôs.
O pronunciamento de Mellão foi interpretado pela oposição como uma defesa ao Legislativo, principalmente porque repetiu várias vezes que a Câmara está acima de "todos". A mensagem foi encerrada com um elogio ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Luiz Eduardo Magalhães, filho do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). "A instituição está acima de todos nós", disse, repetindo uma frase de Luiz Eduardo. Vovozinhas - Um grupo de senhoras da Associação dos Bancários Aposentados, vestidas de preto e com uma mácara parecida com a usada pela personagem Tiazinha, do programa "H", se manifestou hoje pela moralidade e a ética em frente à Câmara Municipal. As senhoras exibiam placas com a seguinte inscrição: "Depilar, não!Viemos tirar o couro!". "Viemos tirar o couro dos vereadores que não têm vergonha na cara", resumiu a bancária aposentada Ivete Versoni, de 65 anos. Ao som de uma banda do Sindicato dos Bancários, as senhoras dançaram e cobraram moralidade dos parlamentares paulistanos.


