São Paulo, 09 (AE) - O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Armando Mellão (PPB), foi citado ontem (08) pelo ex- agente de apreensão João Augusto da Rocha, da Administração Regional de São Miguel. No depoimento que prestou à polícia, Rocha afirmou que três funcionários do gabinete de Mellão, na Câmara, comandariam a regional.
Segundo ele, os assessores de Mellão - Marcos Feliciano de Oliveira, Dolirio Teixeira e Florisvaldo Santos Oliveira - teriam "loteado" o calçadão da Rua Serra Dourada, em São Miguel. O preço do ponto variaria de R$ 6 mil a R$ 10 mil.
Na versão apresentada à polícia, Rocha, que foi indiciado por concussão e formação de quadrilha, afirmou que os três exigiam que ele também participasse do esquema, que renderia cerca de R$ 2 mil semanais, extorquidos de ambulantes da região. Como não aceitou participar, recebeu a determinação de Teixeira para que registrasse o ponto diariamente e fosse para casa, sem trabalhar. Punição - Segundo Rocha, outros funcionários que não aceitaram participar do esquema, foram transferidos para outras regionais. Um deles, Ricardo Roque Melo, conhecido como Catraca, teria sido mandado para a Administração Regional de Pinheiros.
Pelo menos dois administradores regionais que também não teriam aceitado participar da extorsão foram afastados de suas funções, segundo Rocha. Na casa de Rocha, foi encontrado um termo de declaração em que o ambulante Sebastião Santana da Silva afirma estar sendo ameaçado de morte por ter-se recusado a pagar R$ 3,5 mil por um ponto na região de São Miguel. Caso acontecesse alguma coisa com ele, a declaração deveria ser entregue à polícia. Penha - O ex-regional da Penha Osvaldo Morgado foi indiciado por formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro. Além disso, a polícia estuda a quebra de seu sigilo bancário e de sua família. O ex-regional, acusado de participar do suposto esquema de propina na região, depôs por mais de seis horas para o delegado Naief Saad Neto ontem. Ele alegou que, quando assumiu o cargo de regional, em março de 1997, o esquema já estava em curso e nada poderia fazer.
Hoje à noite, o prefeito Celso Pitta (PPB) afastou por meio de uma portaria o regional da Penha, Pedro Antonio Saul, que havia assumido o cargo na semana passada. O engenheiro aposentado álvaro Bortoletto assumiu interinamente o órgão. Saul prestou depoimento de madrugada e foi indiciado por corrupção passiva e formação de quadrilha. Ele é acusado de participar de um esquema com a verba de limpeza destinada à regional da Penha.
A polícia investiga a hipótese de parte do dinheiro pago pela Prefeitura às empresas responsáveis pelo serviço ter sido desviada para o pagamento de propinas. O dinheiro, cerca de 2% do total da verba - R$ 1,5 milhão por mês - seria dividido entre o regional e fiscais. Do total, cerca de 50% eram destinados a um escalão superior, que seria o vereador Vicente Viscome (PPB).

mockup