Presidente da Câmara é citado em depoimento
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de março de 1999
Agência Estado 
O presidente da Câmara de São Paulo, Armando Mellão (PPB), foi citado anteontem pelo ex-agente de apreensão João Augusto da Rocha, da Administração Regional de São Miguel. Em depoimento, Rocha afirmou que três funcionários do gabinete de Mellão comandariam a regional: Marcos Feliciano de Oliveira, Dolirio Teixeira e Florisvaldo Santos Oliveira teriam loteado o calçadão da Rua Serra Dourada, em São Miguel. O preço do ponto variaria de R$ 6 mil a R$ 10 mil.
Na versão, Rocha, indiciado por formação de quadrilha, afirmou que os três exigiam que ele também participasse do esquema, que renderia cerca de R$ 2 mil semanais, extorquidos de ambulantes. Como não aceitou, recebeu a determinação de Teixeira para que registrasse o ponto diariamente e fosse para casa. Segundo Rocha, outros funcionários que não aceitaram foram transferidos.
O ex-regional da Penha Osvaldo Morgado foi indiciado por formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro. O ex-regional, acusado de participar do suposto esquema de propina na região, alegou que, quando assumiu o cargo, em março de 1997, o esquema já estava em curso e nada poderia fazer.
Anteontem, o prefeito Celso Pitta afastou o regional da Penha, Pedro Antonio Saul. Saul prestou depoimento e foi indiciado por corrupção passiva e formação de quadrilha. Ele é acusado de participar de um esquema com a verba de limpeza destinada à regional da Penha. A polícia investiga a hipótese de parte do dinheiro pago pela Prefeitura às empresas responsáveis pelo serviço ter sido desviada para o pagamento de propinas. O dinheiro, cerca de 2% do total da verba - R$ 1,5 milhão por mês - seria dividido entre o regional e fiscais. Do total, cerca de 50% eram destinados a um escalão superior, que seria o vereador Vicente Viscome.


