Presidente da Câmara cobra saída de prefeito
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por João Naves de Oliveira 
Campo Grande, 10 (AE) - A solução para a crise política em Mundo Novo é a cassação do prefeito Kleber Corrêa, disse hoje o presidente da Câmara Municipal, José Antonio Pires de Souza, conhecido por "Zé Bocão" (PMDB). O município, no extremo sul de Mato Grosso do Sul, vive dias tumultuados depois do assassinato da prefeita Dorcelina de Oliveira Folador. "Não existe mais clima para o prefeito continuar no cargo", justificou Souza. "O cunhado dele, Jusmar Martins da Silva, que confessou ter mandado matar a prefeita, disse que antes de ser nomeado secretário municipal de Fazenda contou para Kleber este fato. Kleber disse que soube poucas horas antes da prisão de Jusmar, ocorrida sexta-feira da semana passada, que o cunhado foi o mandante do crime."
A Câmara dos Vereadores pretende apurar a informação de que 15 dias antes do assassinato de Dorcelina, Jusmar teria sacado R$ 40 mil da conta corrente da prefeitura, no Banco do Brasil. Os vereadores pediram à prefeitura toda a documentação contábil durante o período em que Jusmar trabalho como secretário Municipal de Fazenda.
Também enviou ofício para a delegada de polícia Sidnéia Tobias, que coordena as investigações, solicitando cópias dos depoimentos prestados pelo prefeito, bem como do novo interrogatório de Jusmar feito em Campo Grande, no qual ele afirma ter sido nomeado mesmo depois de comunicar ao prefeito ter sido o mandante do crime. "Com essa documentação tomaremos as medidas necessárias. Tenho certeza de que se a decisão do Legislativo for pela cassação, será por unanimidade", declarou.
O prefeito já está expulso do PMDB conforme anunciou o presidente regional do partido, senador Ramez Tebet, mas Kleber entrou com recurso na Justiça e está aguardando o resultado. Independente do que for decidido o PMDB, quer o impeachment do prefeito, conforme afirmou "Zé Bocão".
O prefeito não quer comentar o assunto. Ele continua despachando em sua residência, para evitar os manifestantes que promovem atos em frente à prefeitura.


