São Paulo, 10 (AE) - O presidente da Caixa Econômica Federal, Emílio Carazzai, disse hoje, durante almoço promovido pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), que o pleno funcionamento do Sistema de Financiamento Imobiliário vai ampliar e melhorar o crédito habitacional. Para que isso ocorra, disse ele, a Caixa pretende usar os instrumentos institucionais modernos, que permitem, por exemplo, a securitização de crédito e a criação de um mercado de recebíveis imobiliários.
Segundo Carazzai, a Caixa Econômica Federal e algumas instituições criaram um mercado de securitização para dar liquidez a um contrato de hipoteca, que seria transformado em garantias sobre as quais seriam emitidos títulos, como securitização. Esses títulos podem ser emitidos em forma de debêntures ou commercial papers, explicou o presidente da Caixa.
Essa liquidez, segundo ele, seria obtida com a venda desses títulos, que seriam emitidos no mercado. A Caixa, lembrou Carazzai, já tem a LH (letra hipotecária) e o certificado de recebíveis imobiliário seria mais uma opção, apesar de que esse título só tem até agora uma alteração efetivada.
O presidente da Caixa disse, porém, que para que a operação dos CRIs funcione é preciso que haja um cenário de estabilidade econômica e taxas de juros reais baixas. Carazzai disse ainda que os recursos para financiamento habitacional devem chegar a R$ 4 bilhões. Deste montante, a Caixa quer priorizar o segmento de baixa renda, onde, segundo o presidente, se encontram 85% do déficit habitacional, estimado em 13 milhões de unidades.
Carazzai disse que entre os pontos centrais da agenda que pretende realizar à frente da Caixa, a retomada dos trabalhos da Comissão das Instituições Financeiras Federais (Comif) - presidida pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan - terá um papel importante na racionalização e modelagem de cada banco federal. Segundo ele, o governo deverá concluir ainda este ano o trabalho de identificação da missão de cada uma dessas instituições.
Carazzai, inclusive, já enviou à Comif uma proposta para unificar os títulos de capitalização dos bancos BNB (Banco Nacional de Brasilia), Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco da Amazônia. A proposta, segundo ele, tem o objetivo de evitar sobreposições, desperdícios e emulações corporativas, que operem em detrimento dos interesses do governo e da sociedade.
O presidente da Caixa citou um exemplo entre o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. "O valor econômico do Federal Cap - título de capitalização da CEF - seria transformado em participação no capital societário da BB Capitalização - título do Banco do Brasil", explicou. Segundo ele, ainda não se sabe se os títulos teriam ou não a mesma embalagem, mas a idéia é que sejam comercializados por uma única instituição.
Também faz parte da agenda do novo presidente da Caixa criar fundos de pensão públicos para municípios e Estados. O objetivo, segundo ele, é gerar receitas para municípios e governos estaduais. De acordo com Carazzai, a Caixa já está conversando sobre o assunto com o governo do Rio Grande do Sul. Ele disse ainda que o Banco do Brasil já está formatando um produto semelhante.

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