Presidente da BM&F defende aperfeiçoamento de operações
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez e Rodney Vergili 
São Paulo, 13 (AE) - O presidente da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), Manoel Félix Cintra Neto, admitiu hoje a necessidade de "aperfeiçoamentos" nas operações de mercados futuros. Desde a crise da ásia, a entidade vem analisando a questão da liquidação de operações, pois a forte oscilação de preços de contratos negociados num mesmo dia dificulta o pagamento das margens que deve ser feito pelos investidores.
Mas o presidente da BM&F afirmou que ainda não conversou sobre possíveis alterações com o Banco Central (BCC), que é o órgão regulador do mercado financeiro.
Cintra Neto participou hoje do lançamento do livro "Ética no Mercado Financeiro", de John L. Casey, patrocinado pela BM&F, e falou em público pela primeira vez depois de estourar o caso do Banco Marka. Ele disse que recebeu o pedido de quebra do sigilo das operações na BM&F na semana passada e as informações deverão ser repassadas nos próximos dias para a Justiça.
O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Francisco Costa e Silva, também presente ao lançamento do livro, afirmou que, até o fim deste mês, deverá ser divulgada uma nova instrução sobre os fundos de ações. Desde segunda-feira (12), segundo Costa e Silva, a entidade vem discutindo intensamente a nova instrução que vai nortear a administração de carteiras, a realização de auditorias independentes, além de mudanças na Lei das sociedades anônimas (S.A.s).
Na prática, faz alguns meses que a entidade estuda modificações na legislação dos fundos, sempre duramente afetados pelas crises dos mercados internacionais. Costa e Silva destacou que a CVM não tem responsabilidade sobre desdobramentos nos fundos do Banco Marka, que tiveram pesadas perdas com a desvalorização cambial. Isso porque são fundos de investimentos regulamentados pelo BC e não de ações, cujas regras são definidas pela CVM.
Ainda assim, o presidente da CVM reconheceu que "não há evolução regulatória sem crise". As modificações criadas pela entidade, que incluem manter o investidor o mais informado possível sobre o desempenho dos fundos, devem ajudar o BC a aperfeiçoar as regras dos fundos de investimentos.
Cintra Neto também falou da operação com os contratos de dólar do Banco Marka e o Banco do Brasil, que estava atuando em nome do BC. "Ela foi feita dentro dos regulamentos da BM&F, embora não tenha passado pelo pregão de negociações." Ao responder a uma perguinta sobre o mecanismo de operações fora do pregão, ele explicou que isso é possível por meio de um contrato entre duas instituições, mas acrescentou que tudo consta do mapa de liquidação da bolsa.
De acordo com ele, todos esses pontos serão esclarecidos pelo BC, até quanto ao destino dos contratos de dólar - segundo avaliações do mercado financeiro, o BB deve ter mantido essas posições até o vencimento, a maioria em fevereiro. Sem informar quais eram os bancos que balizaram a operação, pois se trata de uma "informação confidencial", o presidente da BM&F disse apenas que as instituições apresentaram títulos do governo federal como garantia. "Elas eram absolutamente líquidas", disse, referindo-se ao fato de serem facilmente negociadas.


