Presidente da Associação de Engenheiros não descarta hipótese de sabotagem em acidente
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2000
Por Beatriz Coelho Silva e Roberta Jansen 
Rio, 28 (AE) - O novo presidente da Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira, não descarta a hipótese de sabotagem no vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo, do duto da Refinaria Duque de Caxias, na Baía de Guanabara, RJ, dia 18. "A supervalorização desse vazamento é muito conveniente a quem defende a privativação da Petrobras", disse Siqueira, que tomou posse hoje.
"Sabemos que a empresa espanhola Repsol, que comprou a estatal petrolífera argentina, a YPF, negocia com a Petrobras, para adquirir seus ativos, entre eles a Reduc, a refinaria brasileira de maior valor de mercado", disse o engenheiro. Ele estranhou que o vazamento tenha ocorrido sem que ninguém ou nenhum equipamento da Reduc e do terminal da Ilha Dágua, ao qual estava destinado o óleo, tenha notado. "Como essa transferência é monitorada dos dois lados, é estranho que o óleo estivesse saindo do duto, durante quatro horas, sem chegar a seu destino e nenhum equipamento ou funcionário percebesse", explicou. "E há um equipamento destinado só a essa função." Siqueira reconheceu que os aparelhos são antigos, mas não estão defasados.
Para o presidente da Aepet, órgãos técnicos não ligados à Petrobras deveriam participar da investigação, que precisa ser minuciosa. "Por que a Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) e o Clube de Engenharia não estão colaborando?"
Para Siqueira, o vazamento não é mais prejudicial ao ecossistema da Baía de Guanabara do que os 400 mil litros de esgoto in natura jogados diariamente na área (300 mil de matéria orgânica e metal pesado e 64 mil de origem industrial, segundo ele). "Em três dias, a baía recebe 1,2 milhão de esgoto, a mesma quantidade de óleo que vazou da Reduc", comentou.
PF - O superintendente da Reduc, Kuniyuki Terabe, disse hoje, em depoimento na Polícia Federal, que o vazamento foi descoberto às 5h, mas a unidade só constatou a gravidade do acidente às 9h45, depois de fazer um sobrevôo na área. "Se o rompimento tivesse sido detectado com uma antecedência maior, o dano causado ao meio ambiente teria proporções menores", disse ao delegado Ricardo Bechara, responsável pelo inquérito que apura a responsabilidade criminal pelo acidente.
A responsabilidade pelo duto que se rompeu, informou Terabe, é da Dutos e Terminais do Sudeste (DTSE), unidade da Petrobras responsável pelo transporte do combustível. O controle da quantidade de óleo que sai da Reduc, segundo o superintendente, é feito em terminais da refinaria e o DTSE tem sistema semelhante para acusar a carga de óleo recebida. O sistema não é interligado e a comunicação entre as duas unidades é feita de duas em duas horas, por telefone.
Auditoria - Em ofício enviado hoje ao Ministério Público Federal, o presidente da Petrobras, Henri Phillipe Reichstul, formalizou sua disposição de assinar o termo de ajustamento de conduta, segundo o qual a empresa se compromete a entregar em 30 dias um laudo sobre a situação dos dutos que cruzam a Baía de Guanabara e apresentar em seis meses uma auditoria ambiental completa de suas instalações.


