Rio, 19 (AE) - As investigações sobre o crime organizado no Espírito Santo, se depender do presidente da Assembléia Legislativa do Estado, José Carlos Gratz (PFL), não incluirão o ex-ministro da Defesa, Élcio álvares. De acordo com Gratz, ele não será convocado a depor em nenhuma das duas comissões parlamentares de inquérito (CPIs) abertas na Casa - a do Narcotráfico e a da Violência. álvares só irá à Assembléia para falar do assunto se o desejar, uma vez que Gratz controla 27 dos 30 deputados da Casa e, alvo da investigação federal, contra-atacou abrindo a comissão para investigar o tráfico no Estado. A CPI do Narcotráfico da Câmara dos Deputados investiga supostas ligações do escritório de advocacia do ex-ministro com traficantes e quer ouvi-lo.
"Não vejo por que convocar", afirmou Gratz. "O que vi no caso do nosso ministro foi uma das covardias mais escandalosas da história do Brasil." Gratz condenou o depoimento do delegado da Polícia Civil do Estado, Francisco Vicente Badenes Júnior, que, ontem (18), em Brasília, acusou álvares de ter ligações com o crime organizado no Espírito Santo. Ele chamou Badenes Júnior de "delegadinho" e "ordinário" e o acusou de ter produzido um relatório sem nenhum fundamento, em que teria jogado pessoas sérias "na vala comum", ao lado de criminosos, sem motivos nem provas concretas para o fazer. Gratz lembrou que quem acusa álvares é a CPI da Câmara dos Deputados, não a da Assembléia, e afirmou querer ver se a comissão federal vai "ter coragem de intimar o Élcio".
O presidente da CPI da Violência, deputado Enivaldo dos Anjos (PDT), afirmou que a comissão não cogita chamar álvares. O parlamentar disse que um depoimento do ex-ministro fugiria aos objetivos da CPI, que investiga denúncias específicas e apura as responsabilidades de autoridades capixabas pelo crescimento da violência urbana no Espírito Santo.

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