Presidente da Assembléia de AL quer apurar atos irreglares
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Por Ricardo Rodrigues (especial para a AE) 
Maceió, 03 (AE) - A nova presidente da Assembléia Legislativa de Alagoas, Eliziane Costa, de 26 anos, disse hoje que vai apurar as supostas irregularidades praticadas pela Mesa Diretora anterior que, no fim do mandato, concedeu reajustes salariais de até 300% a 45 servidores.
Entre os "apadrinhados" que integram o último "trem de luxo", está o irmão do governador Ronaldo Lessa (PSB), o artista plástico Reinaldo José Lessa Santos. O salário dele passou de 748 reais, em setembro, para R$ 3.105,00 em dezembro. Entre os beneficiados com os aumentos ilegais, estão ex-prefeitos, empresários e funcionários que nunca deram um dia de serviço ao Poder Legislativo.
"É uma denúncia muito grave; precisamos de tempo para a apurar
ouvindo a Mesa Diretora anterior e os diretores da Casa; só depois disso, é que vamos anunciar as medidas que iremos adotar", afirmou "Ziane Costa" - como é conhecida a presidente da Assembléia. Segundo ela, os atos ilegais serão anulados e os responsáveis, punidos, de acordo com a lei. A Assembléia de Alagoas gasta, atualmente, 90% do orçamento mensal
de R$ 4,5 milhões, com a folha de pessoal, que ninguém sabe onde e como é confeccionada. O Ministério Público do Estado (MPE) pediu várias vezes a relação dos servidores, mas nunca foi atendido.
O aumento salarial dos "passageiros do trem de luxo" deixou indignada a presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo, Alari Romariz. Segundo ela, incluíram na lista dos beneficiados alguns servidores que tiveram salários reduzidos e gratificações cortadas injustamente, só para justificar o reajuste dos apadrinhados. "Por quê não reajustaram os salários dos servidores que trabalham e estão com processo na Justiça contra cortes ilegais nos vencimentos?", questionou Alari, acrescentando que seria melhor a Mesa anterior ter pago uma dívida de R$ 30 milhões com os servidores.
Por conta dessa pendência trabalhista, os membros da Mesa passada estão sendo processados em várias instâncias pelo sindicato e pelos próprios funcionários, em ações individuais. Além disso, no Ministério Público tramitam duas ações movidas pelo sindicato, sendo uma por apropriação indébita e outra por improbidade administrativa. O processo tem mais de 500 páginas e o procurador-geral de Justiça, Lean Araújo, vai denunciar os acusados à Procuradoria- Geral da República. Entre os acusados, a pior situação é a do ex-presidente da Assembléia João Neto (PSDB), que não conseguiu se reeleger e perdeu a imunidade parlamentar.
Entre os servidores agraciados, estão o ex-prefeito de Rio Largo Rafael Torres, cujo salário passou de R$ 1.620,00 para R$ 3.120,00; o assessor do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Kristian Calheiros, que teve o salário reajustado de 793 reais para R$ 4.461,00; o irmão de João Neto, Afonso Celso Barbosa de Souza, que passou de R$ 3.300,00 para R$ 3.642,00; a irmã do ex-primeiro secretário Júnior Leão, Francisca Perla Silva, que pulou de R$ 1.680,00 para R$ 3.180,00, e o jornalista Stefane Brito Lins, que, além de ter o salário de R$ 4.165,00 reajustado para R$ 4.665,00, ainda conseguiu uma aposentadoria integral na Assembléia.


