Presidente da Anvisa diz que o problema é a falta de informação
Para o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Ministério da Saúde, Gonzalo Vecina Neto, pouca informação sobre os produtos, resistência das indústrias farmacêuticas e dos médicos são apontados como os principais responsáveis pelo baixo consumo dos genéricos. Vecina ministrou em Londrina, na quinta-feira, conferência sobre a política nacional de medicamentos genéricos. A conferência fez parte da 4ª Jornada de Farmácia e Análises Clínicas, promovida pelo Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Segundo ele, existem atualmente no Brasil 130 remédios genéricos registrados, com 60 princípios químicos ativos diferentes. Desse total, aproximadamente a metade é medicamento injetável, utilizado em hospitais. A outra metade é vendida em farmácias. Tão eficazes quanto os remédios de marca, e bem mais baratos do que estes, nas prateleiras o consumidor pode encontrar apenas 35 genéricos.
Na opinião de Vecina, reeducar a população, informar com responsabilidade, congregando os Conselhos Regionais de Farmácia, médicos e mídia é a solução. Essas seriam as táticas, segundo ele, para que os remédios genéricos chegassem ao consumidor. As cidades maiores são mais privilegiadas na hora da distribuição dos genéricos. Cerca de 70% da população brasileira mora em cidades com mais de 100 mil habitantes. Infelizmente, os centros menores acabam tendo que esperar mais pelos genéricos. Isso é cruel? Claro que sim, mas as coisas funcionam desse modo, como em um processo por embebimento, comentou.
Desde junho, conforme ele, existe um acordo de cavalheiros entre governo e indústrias farmacêuticas, para que não haja aumentos de preços. Além disso, o ministro da Saúde José Serra propôs a criação de um grupo de trabalho, com representantes do ministério da Fazenda, da Justiça, da Saúde, juntamente com a indústria farmacêutica, distribuidores e varejo, para discutir os fatores que encarecem os remédios de marca e dificultam a entrada definitiva dos genéricos no mercado.
Vecina informou que a carga tributária dos remédios brasileiros é das mais altas do mundo. O remédio que sairia da indústria custando R$ 42 vai ser comprado por R$ 100. No final das contas ter uma farmácia acaba sendo um bom negócio. (M.B.)





