São Paulo, 10 (AE) - A AmBev já gastou R$ 4 milhões com o trabalho institucional em torno da fusão, incluindo guerra na televisão contra a Kaiser e a Coca-Cola.
Ao mesmo tempo, informou o presidente da Antarctica, Victório De Marchi, deixa de ganhar R$ 40 milhões por mês por não poder, até que o Cade julgue o caso, reunir as empresas dos ponto de vista operacional.
A guerra contra a Kaiser e a Coca-Cola tomou hoje boa parte do tempo da entrevista coletiva da AmBev. De Marchi afirmou que a Kaiser posa como uma pequena cervejaria, preocupada com o monopólio do mercado, mas a verdade seria bem outra. O empresário afirmou que 86% do controle do capital da Kaiser está nas mãos da gigante Coca-Cola, de forma direta ou indireta.
Diretamente, disse ele, a Heinecken teria 14% das ações da Kaiser, a Coca-Cola teria 10% e o restante 76% das ações estaria nas mãos de distribuidores do refrigerante. Só que esses distribuidores, como a Spal e a Panco, por exemplo, teriam cerca de 30% de suas ações nas mãos da Coca-Cola. Haveria ainda outras conexões entre as empresas, que formaria uma espécie de rede de influência da empresa norte-americana nos negócios da Kaiser.
O presidente da Brahma, Marcel Telles, contou ainda que a Kaiser utiliza, por opção de produzir menos, apenas 50% da rede de distribuição da Coca-Cola, embora tenha o direito de usar 100% (a distribuição é casada). "Com um pouco mais de trabalho, competência e esforço a Kaiser poderia dobrar sua capacidade no mercado", atacou Telles.

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