São Paulo, 27 (AE) - O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro, confirmou hoje o diálogo com o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, em que o atual vice-presidente nacional para Assuntos de Política Econômica do PSDB revelava saber o valor da proposta da empresa italiana Stet no leilão da Tele Norte Leste (R$ 5,1 bilhões).
A conversa consta da série de diálogos grampeados entre autoridades do governo às vésperas do leilão do Sistema Telecomunicações Brasileiras (Telebrás), que voltou a ser divulgada pelo jornal "Folha de S. Paulo".
"Não ouvi a fita, não saberia dizer se houve alguma alteração ou edição, mas o diálogo com o ministro é familiar", afirmou Guerreiro, durante encontro com deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Telefonica na Assembléia Legislativa de São Paulo.
Segundo Guerreiro, o diálogo foi realizado depois da realização do leilão. A Stet perdeu para o consórcio Telemar e o envelope com a proposta foi destruído. De acordo com as gravações, Barros diz que "foi montada uma maracutaia" e que o Tesouro saiu perdendo. "Porque o preço da Tele Norte ía ser R$ 5,1 bilhões." Mas acabou saindo pelo preço mínimo, com apenas 1% de ágio. O ex-ministro, ainda segundo as gravações, sugere enviar a Guerreiro uma lista de dez pessoas - "de confiança da nossa área, tipo aquele japonês" - para serem indicadas ao Conselho de Administração da Telemar.
"Eu acabei não recebendo essa lista, não tomei conhecimento", afirmou o presidente da Anatel. Disse também que não sabe quem era o "japonês" a que Barros se refere. Guerreiro desmentiu também a afirmação de que a Anatel estaria defendendo a saída do BNDES da Telemar.
"Disse apenas que o BNDES pode entrar e sair do consórcio a hora que quiser, desde que esteja dentro das regras; se estiver dentro das normas, a Anatel não verá nenhum empecilho", disse. O regulamento da Anatel prevê que o consórcio comprador mantenha mais de 50% das ações por, no mínimo, cinco anos.
Durante a apresentação na Assembléia Legislativa, Guerreiro afirmou que "bandidos continuam gravando conversas telefônicas particulares". Após o encontro com os deputados, disse que é difícil deter esse tipo de crime porque os grampos, como são apenas microfones de alta sensibilidade que não se prendem aos fios da rede telefônica, não podem ser detectados pelas operadoras.
"Apenas uma varredura completa na casa da pessoa pode detectar um grampo", explicou. No caso da varredura do BNDES, disse Guerreiro, não foi encontrado nenhum sinal de grampo na rede da empresa Telecomunicações do Rio de Janeiro (Telerj).

mockup