Presidente da Ambev nega demissões imediatas
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segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Mariângela Gallucci 
Brasília, 6 (AE) - O presidente da AmBev, Marcel Telles, negou que a empresa vá demitir de imediato 700 funcionários em razão da associação da Brahma com a Antarctica, anunciada na quinta-feira passada. Segundo ele, no processo de reorganização das fabricantes de bebida, podem ocorrer demissões em algumas fábricas e contratações em outras. Mas o mínimo que se espera é um quadro neutro, de acordo com ele.
Juntamente com o outro presidente da empresa, Victório De Marchi, Telles esteve hoje no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para apresentar a operação. Um despacho do titular da Secretaria de Direito Econômico (SDE), Ruy Coutinho, publicado no Diário Oficial de hoje, estabeleceu um prazo de dez dias para que concorrentes, consumidores e clientes se manifestem sobre a operação.
Telles e De Marchi asseguraram hoje que as redes de distribuição da Brahma, Antarctica e Skol vão ser mantidas independentes. Segundo Telles, isso deve gerar uma concorrência entre elas que pode provocar diminuição de preços. Para exemplificar isso, Telles citou o exemplo da Skol, que pertence à Brahma. Com as redes de distribuição separadas, as vendas da Skol superam às da Brahma no País.
Telles disse que a empresa não é contrária à redução das alíquotas para importação de cervejas a fim de aumentar a concorrência no setor. Mas disse que se isso ocorrer a AmBev também quer importar insumos como latas, garrafas e malte com alíquota proporcional. O titular da Secretaria de Direito Econômico (SDE), Ruy Coutinho, afirmou que esse é um assunto a ser tratado com o secretário da Receita Federal.
Telles afirmou ainda que a AmBev cumpriria uma eventual decisão do Cade determinando o fim da exclusividade nos pontos de venda das bebidas. Atualmente, é comum um posto vender apenas as bebidas de uma das marcas. De Marchi informou que apenas 20% do preço das bebidas refere-se à fabricação.


