Presidente da Alerj pede proteção policial por ameaças de morte
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quinta-feira, 08 de abril de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 09 (AE) - O presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Sérgio Cabral Filho (PMDB), pediu proteção policial para si próprio, para a ex-mulher Suzana e o os três filhos, alegando que as crianças foram ameaçadas anonimamente de morte. Segundo o parlamentar, o motivo da ameaça foi o anúncio da demissão de 292 funcionários e da cassação de 24 aposentadorias e nove pensões do quadro do Legislativo.
A deputada Cidinha Campos (PDT), em greve de fome contra Cabral Filho desde a quarta-feira (07), acusou o deputado de tentar criar fatos políticos para desviar a atenção da mídia.
"Desde 1995, eu já tinha sofrido várias ameaças e nunca tinha ligado, mas agora são os meus filhos", disse o parlamentar, que não quis divulgar nomes nem informações sobre as crianças, de 10, 8 e 3 anos.
A ex-mulher dele, Suzana, no apartamento em que mora, na Lagoa, bairro da zona sul do Rio, ouviu a ameaça, em telefonema anônimo, na noite de ontem (08). Um homem disse: "Olha aqui, o teu ex-marido fez umas... com a gente, a gente vai matar teus três filhos." Alarmada, ela telefonou para a Assembléia e pediu ajuda. Mais tarde, Cabral Filho pediu proteção à Secretaria da Segurança Pública do Estado.
Pré-candidato do PMDB à prefeitura da capital em 2000, Cabral Filho anunciara as medidas no início da tarde de ontem. Ele demitiu (e cancelou as aposentadorias e pensões) de funcionários contratados sem concurso entre maio de 1988 e março de 1989. Segundo ele, tramita na 4ª Vara da Fazenda Pública uma ação contestando essas contratações, mas o processo não seguia os trâmites por causa de ligações de um procurador da Casa com um dos servidores ameaçados de perder emprego. Como o Supremo Tribunal Federal (STF) fixara em outros processos o entendimento de que esse tipo de contratação é ilegal, ele optou pela demissão.
Após o pedido, policiais militares passaram a dar plantão na porta do prédio onde mora Cabral Filho, no Leblon, e na do de Suzana. "Não vou mudar minha rotina", disse ele, que promete concluir em breve a revisão de 130 aposentadorias supostamente irregulares de funcionários da Casa.
Enquanto Cabral Filho, ontem, anunciava as demissões e dava entrevistas sobre a ameaça, Cidinha Campos continuava no plenário da Assembléia, sem comer. "Já são 54 horas sem comer"
disse ela, que protesta contra a exclusão dela de todas as comissões da Casa, segundo a deputada, porque não votou em Cabral Filho para a presidência. Aos 56 anos, ela prometia resistir até conseguir uma distribuição dos lugares nas comissões que considerar justas. "Quero mudar a imagem da Casa e acabar com a fama dele (Cabral Filho) de bom moço, o que não é." A parlamentar atribuiu a divulgação das demissões e das ameaças a uma suposta tentativa do presidente da Casa de abafar o protesto, que mobiliza familiares e assessores no plenário. "Ontem, ele demitiu gente; hoje, diz que está ameaçado de morte
chama a polícia; estou vendo a hora em que vai pedir Aeronáutica, Marinha e Exército", ironizou. A deputada disse que perdeu a fome, mas se declarou cansada e sofrendo de vômitos e desinteria. Cidinha Campos foi examinada por médicos da Assembléia, que constataram que está desidratada e advertiram que, por não comer, pode ter problemas cardíacos. "Homem, quando não tem argumento contra mulher, diz: Ela é louca", afirmou ela. "Mas a única arma da mulher é o seu corpo."


