Presidente Batlle enfrenta dias agitados no poder
Montevidéu, 07 (AE-AP) - Durante a campanha para a presidência do Uruguai, o candidato Jorge Batlle, 72 anos, costumava dizer que se fosse eleito pelo menos sua gestão ia ser divertida. Passados 38 dias desde que assumiu o poder, já percebeu que não é bem assim. No seu discurso de posse, no Congresso, Batlle tinha dito que queria "selar a paz" entre os uruguaios. Desta forma, abraçava um dos problemas mais delicados do país, o dos desaparecidos políticos durante a ditadura militar que durou de 1973 a 1985, bandeira tradicional da esquerda.
Com sua atitude, Batlle não somente tomou a iniciativa de resolver a questão de forma definitiva como aumentou a expectativa da esquerda. Há uma semana surgiu uma suposta neta do poeta argentino Juan Gelman, um ex-membro dos guerrilheiros montoneros, cuja nora foi sequestrada em Buenos Aires e enviada para Montevidéu em 76.
Desde 1985, quando os generais retornaram aos quartéis, as Forças Armadas deram o episódio dos conflitos armados como concluído. Sancionaram leis anistiando tupamaros e outros presos políticos e fecharam processos militares. Contudo, ontem, o general Manuel Fernández, chefe do Estado Maior, disse à revista Búsqueda que logo os militares terão que lutar contra o "inimigo" instalado na extrema esquerda. E mais: alertava para o tamanho do crescimento político da esquerda, uma vez derrotada nas urnas.
A reação de Batlle foi cirúrgica. Afastou Fernández de suas funções e determinou sua detenção por dez dias, escolhendo o general Raúl Villar para substituí-lo. Para o presidente, foi um confronto com os militares. Para os círculos políticos, contudo, um aviso de que quem manda nos militares, como determina a Constituição, é o presidente da República.
Nos bastidores do poder, entretanto, se inicia uma guerra de declarações. O ministro da Defesa Luis Brezzo disse que o episódio não levou intranquilidade aos quartéis. Fernández, por sua vez, garantiu ao jornal El País que recebeu "solidariedade de muita gente".





