Presidente alemão expressa pesar em local de massacre da Segunda Guerra
KALAVRYTA, Grécia, 04 (AE-AP) - À sombra de um monumento de pedra no local onde ocorreu o maior massacre cometido por forças nazistas na Grécia, o presidente alemão, Johannes Rau, perante sobreviventes, fez uma longamente esperada declaração de pesar e vergonha.
Mas a visita de Rau deve fazer pouco para evitar batalhas legais entre a Grécia e a Alemanha sobre reparações pela ocupação nazista de 1941 a 1944.
Enquanto moradores se reuniam na colina coberta de roseiras ao pé de uma cruz de 10 metros onde as tropas nazistas fuzilaram 1.463 homens e meninos acima de 15 anos, Rau disse que "este memorial" deveria servir para lembrar os alemães de seus atos sombrios.
"Apenas aqueles que aceitam seu passado podem forjar o futuro", disse Rau aos moradores, incluindo sobreviventes da execução de 13 de dezembro de 1943 em Kalavryta, cerca de 165 km a oeste de Atenas.
Rau veio a esta vila montanhosa no sudoeste da Grécia como parte de um visita oficial de três dias que coincidiu com preparativos para as eleições parlamentares de domingo.
"Sentimos dor e vergonha pelo que aconteceu", afirmou Rau ao retornar a Atenas. Ele foi o primeiro chefe de Estado alemão a visitar a Grécia e lamentar atrocidades do tempo da Segunda Guerra Mundial cometidas no país.
Mas isto pode não ser o bastante para alguns moradores. "Um sinto muito não é suficiente para nós", afirmou Vasiliki Ferleki, 79 anos. "Se todos eles vierem aqui para dizer sinto muito, ainda não seria suficiente".
Uma sobrevivente de 79 anos, Efthimia Vaya, relembrou como tropas nazistas procuraram os combatentes da resistência que haviam matado 81 soldados alemães. Os sinos da igreja tocaram e as tropas reuniram os moradores numa escola.
"Eles fecharam nós as mulheres e todos os meninos na escola. Eles então fizeram os homens marcharem até a colina. Eu perdi meu filho... Como posso perdoá-los? Fiquei sozinha para lutar na vida", disse Vaya, vestida de preto.
Antes de o fuzilamento começar, as tropas queimaram completamente a vila de 2.500 moradores. O relógio da cidade foi parado na hora que os primeiros disparos foram ouvidos: 14:34.





