Preservar florestas para garantir empregos
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de novembro de 2001
Maura Campanili<br>Agência Estado<br> De São Paulo 
Os trabalhadores da indústria moveleira se reuniram pela primeira vez no Estado de São Paulo para discutir a certificação florestal. O seminário ''A Preservação da Floresta e o Emprego na Indústria Moveleira'' foi organizado pelos Sindicatos dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e do Mobiliário de São Caetano do Sul e de Santo André, em São Caetano do Sul. ''Parece contraditório, mas estamos defendendo a conservação da Amazônia para preservar nossos empregos. Sem uma política florestal e a implantação do manejo e da certificação vamos começar a ter problemas na indústria moveleira em São Paulo, que é a maior consumidora da madeira amazônica'', afirma Edison Bernardes, presidente do Sindicato da Construção Civil e do Mobiliário de São Caetano.
De acordo com o sindicalista, como a maior parte da produção moveleira brasileira é destinada ao mercado interno, não há preocupação da indústria com a procedência ou se a madeira é retirada de áreas de preservação. ''Quando se fala no controle da extração há resistência por parte dos empresários que, de imediato, falam em demitir trabalhadores.'' No entanto, Bernardes acredita que, embora a solução esteja longe, a situação irá se modificar com a conscientização da população. ''A presença de um representante da indústria no seminário é um sinal'', disse.
Para Hermes Soncini, presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de São Bernardo do Campo e Região, a preocupação com a origem da madeira ainda é embrionária no setor. ''Atualmente, nenhuma empresa da região tem certificação. Algumas até compram madeira de fornecedores que utilizam madeira certificada, mas não utilizam esse fato como diferencial e sim como uma matéria-prima normal'', disse.
A coordenadora da campanha da Amazônia do Greenpeace, Rebeca Lerer, disse que colocar a certificação florestal como demanda dos trabalhadores tem uma grande importância. ''A extração ilegal de madeira é um problema social na Amazônia. Os trabalhadores de indústrias irregulares também têm situação irregular, sem condições mínimas de trabalho'', disse.
Segundo Rebeca, ''a certificação é uma garantia de que a madeira foi extraída de forma sustentável e sem degradação da floresta, evitando o corte de madeiras jovens ou de espécies que não serão aproveitadas''. O Greenpeace está fazendo uma campanha publicitária em revistas alertando o consumidor brasileiro que, ao comprar produtos de madeira, ele pode estar contribuindo para a destruição da floresta. Oitenta e cinco por cento da madeira extraída na Amazônia são consumidos no mercado interno brasileiro, nas regiões Sul e Sudeste.


