A forte presença policial e a notícia de que representantes do governo federal, entre eles o ouvidor agrário nacional, Gercino da Silva Filho, visitarão a cidade de Anapu (PA) amanhã (25), amenizou a tensão entre trabalhadores rurais assentados no Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança, madeireiros e um grupo de trabalhadores contrários ao que classificam como um excessivo rigor ambiental.

Na semana passada, assentados bloquearam as estradas de acesso ao assentamento em protesto contra a falta de fiscalização de órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) e contra a presença de madeireiros na área.

A reunião terá a presença do ouvidor agrário nacional e de representantes da Secretaria Especial de Direitos Humanos e do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra).

Reivindicação

Os assentados exigem que o Incra instale guaritas com seguranças privadas no Assentamento Esperança. Para inmpedir que madeireiros explorem indevidamente a região.

Localizado a 50 quilômetros do centro de Anapu, o Assentamento Esperança se tornou mundialmente conhecido em 2005, quando a missionária católica norte-americana Dorothy Stang foi morta a tiros por assassinos de aluguel.

Dorothy foi uma das idealizadoras do projeto de destinar terras para que trabalhadores rurais desenvolvessem projetos sustentáveis na Amazônia. Vinte por cento da área do projeto é destinada ao assentamento dos trabalhadores rurais, enquanto os outros 80% formam uma reserva natural coletiva.

Para a delegada chefe da Polícia Federal, Patrícia Helena Shimada, embora as relações em Anapu sejam normalmente tensas, o assunto não deve ser tratado como mais um caso de polícia. "Essa é uma questão que deve ser tratada dentro do governo. À PF compete apenas atuar como polícia judiciária na questão ambiental, procurando coibir os crimes ambientais".

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