Brasília, 10 (AE) - O corregedor-geral da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), disse hoje que a presença do deputado Wanderley Martins (PDT-RJ) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico "desmoraliza" os trabalhos do grupo. O corregedor defendeu o afastamento, pelo PDT, de Martins da comissão, em razão das suspeitas de ligação do parlamentar com o crime organizado.
"Se é o Ministério Público Federal (MPF) que investigou
não se pode dizer que o caso foi motivado por perseguição política ao deputado", afirmou Cavalcanti, acrescentando que as acusações contra o parlamentar são "contundentes" e "graves". "Se for comprovada a denúncia, acredito que o deputado não pode fiscalizar ninguém na comissão", afirmou Cavalcanti.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse hoje que a Casa poderá apurar o caso, se for encaminhado um pedido formal à Mesa Diretora. Ele evitou opinar sobre um possível afastamento do pedetista da CPI do Narcotráfico. "Estão pedindo para tomar uma decisão por ele, mas, se fosse comigo, saberia o que fazer", declarou Temer.
Pelas regras na Câmara, um deputado somente pode ser afastado a pedido do próprio parlamentar ou do partido dele.
Amanhã (11), o corregedor deve discutir o caso envolvendo Martins em reunião da Mesa da Câmara. Ele disse que poderá requisitar os inquéritos - um que trata da suspeita de ligação do parlamentar com o acusado de tráfico Walter Gomes de Carvalho Filho, mais conhecido como "Valtinho", e outro em que ele é investigado por corrupção - que estão tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 1997, o deputado foi filmado ao lado de "Valtinho", durante um churrasco em comemoração à inauguração da sede de Associação dos Moradores do Morro Boavista, em Niterói, na Grande Rio. O fato ocorreu em 31 de maio daquele ano, quando o deputado estava licenciado da função de delegado da Polícia Federal (PF) por ser candidato a uma vaga na Câmara. O caso, que motivou a abertura de um inquérito pelo MPF, está tramitando no STF pelo fato de envolver um parlamentar.
Há ainda um inquérito por corrupção na PF que se arrasta desde 1994 envolvendo o pedetista. Ele recebeu um depósito bancário no valor correspondente a US$ 2.500,00 do doleiro libanês Elias Kanaan, acusado de lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Em 1994, o nome do deputado, que era delegado da PF na Delegacia Fazendária, apareceu na agenda do doleiro com dados e valores de depósitos.
Com base nas informações, a Justiça decretou a quebra de sigilo bancário de Martins, entre 1990 e 1995, o que levou à comprovação de que o depósito havia sido efetuado. O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, pediu vistas do processo, que também está no Supremo. Na época das denúncias, em 1994, integrantes do PDT queriam que o parlamentar não fosse candidato pela legenda. Atualmente, no entanto, a Executiva Nacional do partido não se reuniu para discutir o assunto.

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