O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) em Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí), informou ontem que pelo menos 300 famílias foram desalojadas das seis fazendas desocupadas na última sexta-feira. Parte dos sem-terra que estavam nas propriedades reintegradas, segundo Rodrigo dos Santos Neto, membro do MST local, foram para acampamentos mantidos pelo movimento ou para casas de conhecidos e parentes. ‘‘Não temos como levantar o número exato de companheiros desalojados nem quantos ainda estão nas áreas ocupadas’’, disse.
Ele denuncia ainda que ‘‘todas’’ as ações da polícia para a desocupação foram feitas de ‘‘forma ilegal’’. ‘‘Sem seguir nenhuma instrução jurídica’’, afirma. Sem citar o nome das propriedades, Santos Neto garante ainda que algumas áreas improdutivas foram desocupadas. ‘‘O pior é que agora a Polícia Militar mantém cerca de 200 ou 300 homens na cidade, criando um clima de tensão’’, lamenta. Ele disse à Folha que os policiais ficam rondando a cidade e as estradas rurais, principalmente as que dão acesso às fazendas reintegradas. ‘‘O pior é que não tem como saber qual o próximo passo deles.’’
Marcos NegriniCinco dos 19 sem-terras presos no posto da Polícia Militar de Loanda: Cesar Roberto Peixoto, Paulino Vocivohosk, João Fernandes, Ari Moreira e Neri MurineliDesarmamentoO tenente Adalto Girardi, da Polícia Militar, disse que cerca de 200 policiais estão na cidade, apenas para manter a ordem e continuar a operação de desarmamento. Ontem a polícia não tinha nenhuma ordem nova da Secretaria de Segurança, que segundo Girardi é quem vai determinar os próximos passos a ser dados na região. A PM confirmou que os sem-terra presos continuavam na cadeia de Paranavaí. O advogado Sílvio Luiz Januário, da Rede Autônoma de Advogados, que defende os sem-terra, confirmou a manutenção das prisões.
Segundo Januário faltam informações inclusive do número exato de sem-terra detidos. O MST diz que são 14, a PM informa 16. O advogado acha que a polícia recuou depois que a imprensa e deputados chegaram a Querência do Norte. ‘‘A PM agora mantém essa operação desarmamento no sentido de desarticular os sem-terra’’, denuncia. A Rede pretende mobilizar a OAB e denunciar os abusos na operação policial para organismos internacionais de defesa dos direitos humanos.Marcos NegriniVigilânciaVeículos da Polícia Militar continuam em Querência do Norte, patrulhando as áreas desocupadasMarcos Zanatta

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