Presas mantêm 8 reféns por quatro horas no ABC
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domingo, 14 de fevereiro de 1999
Agência Folha 
Cerca de 50 detentas se rebelaram ontem na Cadeia Feminina do 7º DP de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo). Na hora do almoço, por volta das 12h50, cerca de cinco presas, renderam o carcereiro Severino de Oliveira Neto, 26, com uma faca em seu pescoço. Em posse do funcionário, as presas invadiram o centro de reabilitação de menores, que também funciona no prédio do DP, e pegaram mais sete menores infratores como reféns.
As detentas ainda queimaram colchões e objetos de plástico. O fogo só foi apagado com a chegada dos bombeiros, por volta das 13h30. As presas exigiam a transferência para a Penitenciária do Estado, onde, segundo elas, teriam direito à assistência médica e ao trabalho. Para negociar a libertação dos oito reféns, as detentas exigiram a presença do juiz corregedor de São Bernardo (identificado pela PM somente como doutor Patino) e da imprensa. O juiz não foi localizado, segundo a PM.
Por volta das 16h40, depois de conversarem com alguns repórteres, as presas libertaram o carcereiro. Logo em seguida, foi a vez dos menores serem soltos. Controlada a rebelião, as detentas grávidas Fernanda de Oliveira, 20, e Valdinete Almeida, 26, foram levadas para o PS de Diadema, segundo informou a PM. As duas são acusadas de tráfico.
O delegado titular do DP, Salvador Marques, disse que não vai transferir as presas. De acordo com o soldado Dias, que trabalha no distrito, as presas se revoltaram porque lá é muito apertado pra tanta mulher. Só tem quatro celas para quase 50 presas. O soldado disse não saber como a faca de metal usada na rendição do carcereiro foi parar dentro da cela.


