Belém, 07 (AE) - A Polícia Civil do Pará prendeu ontem (06) nove homens acusados de integrar uma quadrilha formada por 28 pessoas que invadia fazendas no sul do Estado, expulsava os proprietários e vendia as terras. O bando, suspeito de várias mortes na região, segundo o delegado Francisco Eli, é integrado por pistoleiros, grileiros de terras e jagunços. A polícia investigava o bando há três meses.
O juiz Raimundo Flexa, da comarca de Redenção, decretou hoje a prisão preventiva dos 28 acusados. Os nove estão presos na delegacia de Redenção e devem ser transferidos para a penitenciária de segurança máxima de Marabá.
A quadrilha era liderada por Pedro Joaquim Maia, o Pedro Paraná, e seu filho, o pistoleiro Nilson Maia. Além deles, estão na cadeia Hélio Rosa Mendes, Jean Rosa Paiva, Humberto Aquino da Silva, Ivo Pereira de Paiva, Walmir José Marciano, Lucelino Andrelino Araújo e Ivan Medeiros. Os outros 19 foragidos estão sendo procurados em fazendas na divisa do Pará com os estados de Mato Grosso e Tocantins.
O delegado Francisco Eli contou que os proprietários da fazenda Ouro, em Santa Maria das Barreiras, foram obrigados a pagar R$ 100 mil a Pedro Maia para permanecer em suas terras. "São bandidos que se fazem passar por sem-terra para implantar o terror no sul do Pará ".
A invasão armada nas fazendas era feita a qualquer hora do dia, segundo o delegado. As fazendas Palmeira, em Rio Maria, e Riacho de Deus, em Santana do Araguaia, foram ocupadas e loteadas pelos bandidos liderados por Pedro Maia. Eles venderam cada lote de 500 hectares por R$ 25 mil.
Na fazenda Panorama, onde em agosto do ano passado policiais federais apreenderam um avião com narcotraficantes, a quadrilha fez uma espécie de reforma agrária às avessas: em vez de distribuir a terra aos agricultores da região, cada família pagava R$ 5 mil ao bando para morar e plantar no local.
O delegado Roberto Teixeira, que comandou a prisão dos principais integrantes da quadrilha, investiga o envolvimento do fazendeiro goiano Jerônimo Amorim com os acusados. O fazendeiro está preso desde novembro do ano passado, na penitenciária de Marituba, perto de Belém. Ele foi pronunciado pela Justiça como mandante da morte do sindicalista Expedito Ribeiro de Souza, em Rio Maria, em 1990.

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