Edna Mendes
De Cornélio Procópio
A ação que resultou na prisão de parte da quadrilha acusada de fraudar notas fiscais e sonegar impostos, na madrugada de anteontem no Norte do Estado, foi uma operação conjunta que contou com 20 homens das polícias Civil e Militar, Ministério Público e Receita Estadual. Seis dos presos tinham mandado de prisão preventiva decretado e um foi preso em flagrante. Entre os presos, estão dois funcionários da Receita Estadual e outro da Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar).
Foram apreendidos dezenas de blocos de notas fiscais, guias de recolhimentos e carimbos da Receita e de outros órgãos públicos. No mesmo dia foi fechada em Curitiba a Gráfica Dinâmica, onde eram impressos os blocos de notas em nome de empresas fantasmas ou de ‘‘laranjas’’.
O coordenador da Receita Estadual, João Manoel Lucena, disse ontem que a quadrilha movimentava cerca de R$ 6 milhões mensais com a venda de notas fiscais ‘‘frias’’ para caminhoneiros e transportadoras. Lucena informou que pelo menos 90 dias de escuta telefônica (autorizada pela Justiça) dos principais envolvidos no caso ainda não foram degravadas pela polícia. ‘‘Eles usavam as notas principalmente para a comercialização de feijão na divisa com São Paulo’’, explicou Lucena. Ele assegurou que esta quadrilha é uma das maiores já presas no Estado nos últimos anos.
A polícia acredita que o grupo vem atuando há pelo menos cinco anos. Ele disse que as investigações para prender a quadrilha começaram há dois anos.
O chefe do grupo é o empresário José Estevão de Carvalho, 47 anos, preso em Siqueira Campos (90 km ao Sul de Jacarezinho). Os outros presos são Jorge Lopes da Silva, 43 anos, de Salto do Itararé, Mário Gomes Nogueira, 39 anos, e Andrey Quirino da Silva, 25 anos, ambos de Siqueira Campos, e os fiscais da Receita Estadual Ataliba José de Souza, 38 anos, de Jacarezinho, e Laércio Laranjeira, 39 anos, de Sengés.
Por questões de segurança a quadrilha foi dividida e transferida para várias cadeias da região. O delegado acredita ainda que pelo menos mais sete integrantes do grupo continuam soltos. Segundo a polícia, a quadrilha vem atuando no Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A quadrilha foi autuada por sonegação fiscal, falsidade ideológica, falsificação de documentos públicos e particulares, corrupção ativa e passiva, peculato e formação de quadrilha. ‘‘Os fiscais envolvidos na fraude davam cobertura à quadrilha e recebiam propinas. Porém, acreditamos ainda que há uma grande ramificação de fiscais envolvidos’’, frisou o delegado.
(colaborou Rubens Burigo Neto, de Curitiba)

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