Curitiba - Policiais desmantelaram ontem, durante operação deflagrada em Curitiba e região, a maior quadrilha de arrombadores de caixas eletrônicos do Paraná. Até o início da noite de ontem, 16 pessoas já haviam sido presas preventivamente, incluindo sete policiais militares, e outras duas ainda estavam sendo procuradas. Quatro integrantes do bando já tinham sido detidos em outras ações.
A participação dos policias militares nos arrombamentos a caixas eletrônicos se dava de duas maneiras. Alguns deles participavam diretamente do furto, estourando os caixas com dinamite, enquanto outros criavam falsas ocorrências para ludibriar quem estava trabalhando e desviar o foco dos locais onde iriam acontecer os assaltos. O líder da quadrilha, inclusive, seria um dos policiais militares presos.
As investigações começaram há oito meses e entre as ações que levaram os investigadores até a quadrilha está o confronto dos bandidos com policiais em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, no dia 11 de outubro. Na ocasião, o irmão de um dos policias militares foi preso logo após ser baleado. Outro crime com envolvimento do bando foi uma tentativa de arrombamento ocorrido na cidade de Três Barras, no Norte de Santa Catarina, onde três pessoas morreram e cinco foram presas.
Segundo o secretário de Segurança Pública, Leon Grupenmacher, um dos presos trabalhava na Central de Operações da PM (Copom) e repassava informações erradas para as equipes de plantão enquanto a quadrilha agia em outro ponto da cidade. "Os policiais eram figuras importantes dentro desta organização. Agora o desdobramento desta investigação ainda é um ponto de interrogação porque podemos chegar a muitas outras pessoas", ressaltou.
Os presos devem responder por furto qualificado e formação de quadrilha. As investigações prosseguem e os nomes dos envolvidos não foram divulgados para não atrapalhar futuras diligências.
"O crime de arrombamento de caixa eletrônico nos preocupa em relação à legislação porque ele é enquadrado como furto qualificado e isso faz com que os meliantes fiquem pouco tempo na prisão. O Código Penal é de 1940, mas estamos em outra época e queremos que a punição para este crime com uso de explosivos seja revisto", reivindicou Luiz Alberto Cartaxo, do Comando de Operações Policiais Especiais (Cope), que coordenou a operação.
A assessoria da PMPR informou que os sete policiais da corporação foram afastados e que um inquérito policial militar foi instaurado para apurar o caso.

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