São Paulo, 23 (AE) - O rastreamento de telefones celulares permitiu à polícia prender três acusados de compor uma quadrilha que aplicava o golpe da venda do carro zero quilômetro. O grupo colocava anúncios de carros nos principais jornais do País por preços abaixo do valor de mercado. Uma vítima chegou a perder R$ 13 mil.
Foram apreendidos sete telefones, dois Palios, cartões bancários e notas fiscais em branco de duas montadoras - a GM e a Mercedes-Benz. Tudo isso estava numa chácara em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo. Segundo o delegado Manoel Camassa, titular da Delegacia de Roubo e Furto de Carros, os acusados ofereceram R$ 30 mil aos policiais para não ser presos. Além da prisão em flagrante por estelionato, também foram autuados por corrupção ativa e formação de quadrilha. Os três negam os crimes. Um quarto acusado fugiu.
De acordo com o delegado, na maioria das vezes, o veículo não era entregue. A vítima ligava para a quadrilha. Os golpistas enviavam por meio de um fax ligado a um telefone celular - comprado ou alugado com nome falso - uma ficha cadastral da Multicar, nome que davam para a empresa fantasma.
Dois a três dias depois, telefonavam para a vítima afirmando que a ficha havia sido aprovada e pediam o depósito de R$ 800,00 a R$ 1 mil. Diziam que o dinheiro serviria para cobrir as despesas com documentos. Mais tarde, os criminosos mandavam notas fiscais das montadoras e pediam o pagamento de uma entrada de R$ 3,5 mil a R$ 5 mil. O dinheiro devia ser depositado em contas bancárias fornecidas pela quadrilha, todas elas abertas por meio de identidade falsas.
Quando a vítima procurava os golpistas, só dispunha de um número de telefone celular. "Essa quadrilha foi mais longe, pois inventou um meio de ludibriar aqueles que desconfiavam do golpe", disse o delegado. Segundo ele, quando isso acontecia, a quadrilha procurava uma concessionária de veículos. Diziam que eram donos de um bingo e lhes mandariam um cliente que ganhara um sorteio que escolheria um carro. A vítima desconfiada ia à concessionária. Para que ela retirasse o veículo, a quadrilha enviava um falso comprovante de depósito bancário na conta corrente da concessionária, que, então, liberava o carro para a vítima. Esse foi o caso do aposentado Ariovaldo Quaresma, de 79 anos. Após receber o carro da concessionária, um Palio, ele depositou R$ 12 8 mil numa das contas da quadrilha. O veículo foi apreendido pela polícia. A Justiça decidirá com quem ele ficará.
De acordo com o delegado, a investigação do caso começou há quatro meses. A quadrilha anunciava, principalmente, Vectra, Corolla, Sprinter e Palio. Por meio do rastreamento dos telefones celulares, os policiais conseguiram deter o comerciante Marcos Donizete Sabino, de 33 anos, o pintor Jaime Mauri de Aguiar, de 35 anos, e o corretor de imóveis Sidnei Aparecido de Aguiar, de 28 anos.

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