Presa quadrilha formada por oficiais do Exército
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quarta-feira, 07 de julho de 2004
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Polícia Federal (PF) prendeu na tarde de terça-feira dois oficiais do exército acusados de fazer parte de uma quadrilha que usava identificação militar para traficar grande quantidade de armas e entorpecentes no Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.
A quadrilha agia com uma viatura clonada do Exército, uma Veraneio cor verde oliva, para transportar a carga ilegal sem pagar pedágio e despistar policiais. A PF, que já vinha investigando o caso há três meses, juntamente com o Ministério Público (MP) federal, prendeu o segundo-sargento da 5 Região Militar em Curitiba, Bartolomeu Oliveira da Silva, 35 anos, e o terceiro-sargento reformado, Roberson Davis Sá, 28 anos. Ambos foram detidos em flagrante quando faziam uma entrega de quase 300 quilos de maconha na Rodovia Presidente Dutra, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A droga apreendida, que vinha do Paraguai, foi avaliada em R$ 90 mil.
Os policiais encontraram em locais utilizados como depósitos, em Curitiba, outros 270 quilos de maconha, quantias no valor de R$ 3 mil e US$ 1,1 mil, além de grande quantidade de itens militares: 388 cartuchos de diversos calibres, adesivos, fardas, mochilas, facas, duas pistolas, oito carabinas, documentos, carregadores e até mesmo um projétil antitanque, usado em operações de guerra. Também foram apreendidos três veículos particulares, juntamente com placas que seriam do Exército.
Outros dois integrantes da quadrilha foram presos durante a operação. Denis Robert Sá, irmão de Roberson, foi detido no Rio em flagrante quando seguia para a favela Acari, onde negociaria a venda da droga com Uedson Carlos Moraes, um dos administradores do tráfico na região.
Todos irão responder por crimes de porte ilegal de armas, tráfico de drogas e formação de quadrilha. Silva, que ainda está na ativa, responderá por inquérito policial militar na 5 Região Militar em Curitiba e está detido no 1º Batalhão de Polícia do Exército. Os outros presos foram encaminhados para o Presídio Ary Franco, em Santa Água (RJ). Agora, a PF deve continuar com as investigações para descobrir outras conexões, assim como o fornecedor das drogas vindas do Paraguai e o chefe do tráfico na favela Acari.


