Presa quadrilha acusada de clonar celulares
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terça-feira, 21 de setembro de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Centro de Operações Especiais (Cope) da Polícia Civil prendeu, no último final de semana, cinco pessoas em Campinas (SP) integrantes de uma quadrilha internacional, responsável pela clonagem de pelo menos 200 mil aparelhos no Brasil, o correspondente a 70% das clonagens feitas no Brasil. A polícia também encontrou indícios de que as centrais telefônicas usadas no esquema brasileiro tivessem origem nos Estados Unidos e fossem utilizadas por criminosos organizados do mundo todo, incluindo as máfias russa e vietnamita.
As prisões foram feitas entre quinta-feira e domingo em Campinas. Foram presos o chefe da quadrilha Willian Wadith Zakhour, 47 anos; Mariana Ferreira Cardoso da Silva, 25 anos, que seria sua amante; o irmão dela, Abrahão Correia da Silva Filho, 32 anos; Rosa Soares de Oliveira Gomes (a polícia não divulgou a idade) e o vietnamista Tran Van Quang, 46 anos. Ontem, em Curitiba, o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, e o delegado Marcus Michelotto, do Cope, divulgaram o caso à imprensa.
As investigações começaram a ser feitas há três meses pelo Cope, depois que a Tim Sul, operadora de telefonia celular com sede em Curitiba, denunciou a suspeita de clonagem de telefones de seus clientes. A investigação e a ação em Campinas envolveram 35 policiais. ''Foi um grande trabalho de inteligência e investigação. Era uma fraude milionária, e pode ter certeza que 70% das clonagens no Brasil terminam aqui e, com os dados que temos, vai significar o fim da clonagem no Brasil'', disse o secretário.
De acordo com Michelotto, em Campinas foram vistoriados seis apartamentos, onde foram encontrados as centrais telefônicas e outros materiais. O esquema funcionava, segundo ele, a partir de uma empresa americana, cujo nome está sendo investigado. Atuando de forma fraudulenta, sob o comando de um ''libanês canadense'' Michael Geri, a empresa mantém contrato com empresas do mundo todo para fazer ligações internacionais. No Brasil, por meio de Willian Wadith Zakhour, ela fazia as ligações por clonagem de aparelhos. Documentos financeiros encontrados mostraram que Zakhour recebia US$ 8 mil por semana da empresa americana.
Todo o equipamento utilizado também é americano ou vem do Canadá. O aparelho que inicialmente escaneia os celulares para serem clonados chega adulterado ao Brasil ''por um técnico de uma grande empresa dos Estados Unidos'', segundo Michelotto. Foram encontrados 140 aparelhos celulares clonados com a quadrilha.
Agendas telefônicas, documentos de transação financeira e outros materiais coletados nos locais da prisão mostram que a quadrilha tinha relações com pessoas nos Estados Unidos, Argentina, Bolívia, e principalmente países do bloco solcialista, como a Rússia e Cazaquistão, e dos países árabes, entre eles o Líbano e Kwait. A polícia acredita que o vietnamita, em cujo passaporte está carimbado o registro de viagem Brasil-Paris-Moscou, era usado para fazer os contatos com países do bloco socialista.
A polícia também suspeita que Zakhour seja libanês. Ele afirma que é brasileiro, mas fala mal o português e domina o libanês. Ao ser preso, ele portava documentos falsos e com dados diferentes. Dois deles mostram que ele seria natural do Espírito Santo e outros dois de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Zakhour é fugitivo da Justiça Federal de Guarapuava, que o condenou a seis anos de prisão pelo mesmo motivo. Também possui passagens na Bolívia por clonagem.
O Cope encaminhou as denúncias ao governo dos Estados Unidos para que as autoridades daquele País façam as investigações necessárias. Também foi pedida quebra sigilo dos membros da quadrilha. O delegado acredita que a base da quadrilha foi desmantelada, mas pode haver colaboradores em outros estados. Eles ainda investigam qual a utilização dos aparelhos clonados. ''Eles poderiam levar os celulares para dentro das penitenciárias, para quadrilhas organizadas ou vender os números clonados'', diz o secretário.


