São Paulo, 16 (AE) - Uma quadrilha de matadores suspeita de mais de 50 assassinatos foi presa ontem (15) pela polícia, em São Paulo. Responsabilizado pela maior chacina do ano no Estado, que deixou sete mortos na madrugada do dia 12, o grupo é acusado de matar ladrões e traficantes, além de cobrar até R$ 5 mil para assassinar qualquer pessoa sob encomenda.
Foram presos José Raimundo da Silva, Ataíde de Oliveira Ézio de Oliveira, Nelson de Oliveira, Antônio Brás da Silva Neto
Valdir Alvino de Souza, Osvaldo Ribeiro Conceição e o soldado da Polícia Militar João José dos Santos. "Não quero falar nada", disse o soldado, antes de depor na Polícia Civil. O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) suspeita que a matança do fim de semana tinha por objetivo forçar a população do Jardim Mirna, na zona sul, a pagar pedágio para a quadrilha.
Por volta da 1 hora, segundo a polícia, três dos acusados apareceram no bar. "Eles estavam atrás de uma das vítimas e acabaram matando as outras, que testemunharam o crime", disse o delegado Luiz Ozilak Nunes da Silva, da equipe D-Sul do DHPP. Segundo o delegado, o líder do bando é o aposentado Ataíde de Oliveira, de 68 anos. "Ele era o mandante dos crimes do grupo, mas também participou de assassinatos no interior de São Paulo e em outros Estados."
A chacina de sexta-feira foi planejada em uma quermesse no Jardim Mirna. A polícia conseguiu descobrir a autoria do crime porque um dos acusados voltou ao local da matança e acompanhou o trabalho da perícia do DHPP. Isso não intimidou uma testemunha, que avisou os policiais. Eles identificaram José Raimundo da Silva, de 22 anos, o "Boizão", e seus colegas. O primeiro a ser preso foi o soldado do 12.º Batalhão da PM. "Ele disse que foi convidado a participar do crime, mas se recusou", afirmou o delegado.
Depois, os policiais detiveram Silva, que confessou o crime ao depor no DHPP. Por meio de sua confissão, a polícia conseguiu identificar outros integrantes do grupo. Até então os policiais só apuraram os apelidos dos acusados. "O líder do grupo, Ataíde de Oliveira, é conhecido como Velho Paraguai", disse o delegado. Ataíde foi preso com os filhos Ézio, de 32 anos, e Nelson de Oliveira, de 30. Eles estavam na Favela do Velho Paraguai, que tem esse nome em homenagem a Ataíde. Depois deles, foram detidos Antônio Brás da Silva Neto, de 43 anos, Valdir Alvino de Souza, de 33, e Osvaldo Ribeiro Conceição, de 35, o Tiché. Com eles, não foi achada arma. "O PM disse que elas estão com o Ataíde e ele falou que os revólveres estão com o PM", afirmou o delegado.
Os oito acusados foram autuados em flagrante sob a acusação de formação de quadrilha. No caso da chacina, foram indiciados no inquérito Ataíde, o soldado da PM, Silva e Silva Neto. O delegado afirmou ainda que serão indiciados ainda em sete outros inquéritos de homicídio em que o DHPP investigava a morte de nove pessoas.
"Eles começaram matando traficantes e ladrões; mais tarde, passaram a aceitar assassinatos sob encomenda, cobrando de R$ 1 mil a R$ 5 mil", afirmou o policial. Uma equipe da Corregedoria da PM participou das investigações do caso e tomou o depoimento do soldado.

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