Washington, 06 (AE-ANSA) - Os helicópteros Apache deveriam ser uma das cartas fortes dos Estados Unidos na guerra contra a Iugoslávia, mas sua difícil adaptação ao terreno nos Bálcãs levantam dúvidas sobre sua utilização em batalhas depois dos dois acidentes ocorridos nos últimos dias.
As dúvidas cresceram a partir do acidente de quarta-feira, quando um Apache caiu ao norte de Pristina, durante um exercício de treinamento, segundo a versão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
O piloto e seu acompanhante morreram, sendo estas as primeiras vítimas reconhecidas pela aliança atlântica desde o início da guerra, em 24 de março.
Desenvolvidos durante a Guerra Fria para destruir eventuais tanques russos nas planícies européias, os Apache foram muito efecientes no deserto do Iraque durante a Guerra do Golfo, causando estragos contra os blindados inimigos.
Mas nos Bálcãs, os pilotos depararam com uma situação distinta. Especializados em vôo rasante, os helicópteros são muito vulneráveis aos fios de alta tensão, às irregularidades do terreno e à artilharia antiaérea em terra.
"No deserto, operavam em condições ideais: terreno plano e sem fios de alta tensão, inimigos facilmente idividualizáveis - explicou um especialista militar. Mas na Iugoslávia a situação é bem diferente e a fragilidade dos Apache começou a ficar evidente."
Os investigadores recém-chegados aos Bálcãs ainda não estabeleceram as causas dos acidentes, mas suspeitam que os cabos de alta tensão são a causa do segundo desastre, que custou a vida de dois pilotos.
Os pilotos dos Apache são treinados para voar na escuridão absoluta, graças a visores noturnos. Mas a irregularidade do terreno nos Bálcãs e as imprecisões dos mapas sobre a localização dos postes de eletricidade tornam suas missões muito perigosas.
"Nos Bálcãs, os postes têm diferentes alturas e estão posicionados a distâncias irregulares. Os mapas oferecem pouca ajuda", afirmou um cartógrafo norte-americano.
A técnica de vôo rasante torna os helicópteros Apache vulneráveis aos mísseis e às armas de médio calibre das forças sérvias em um terreno marcado por irregularidades naturais.
O Pentágono insiste que os acidentes não causaram atrasos nem alterações na utilização dos Apache nos Bálcãs. Mas alguns especialistas continuam expressando perplexidade sobre a decisão norte-americana de enviar helicópteros frágeis à região, onde são acompanhados por um exército de 5.300 especialistas para suas operações e manutenção.

mockup