São Paulo, 16 (AE) - A edição vocal do Prêmio Visa de MPB teve, na segunda-feira, quando foi realizada a terceira das seis eliminatórias, sua melhor noite. Apresentaram-se o Due Fratelli, do interior de São Paulo, jovens gêmeos ainda em busca de definição estilística, mas plenos de inegável talento; o Quarteto Shekhynah, do Rio Grande do Norte, de vocal colorido e inteligente; a intimista Rita Braga, paulistana, com seu sopro de voz carinhoso aplicado a belíssimo repertório. E, sobretudo, soberbamente, apresentou-se a também paulistana Mônica Salmaso, numa exibição de rigorosa e absoluta beleza e emoção, fazendo valer todos os elogios que já lhe foram conferidos - muitos e vindos de gente com autoridade para opinar - e mostrando que merece mais e mais elogios.
É errado antecipar julgamentos. Ainda faltam 12 candidatos para apresentar-se nas eliminatórias do 2.º Prêmio Visa - Edição Vocal. Mas é difícil imaginar algum que possa superar a inquestionável perfeição de Mônica. Ela foi a segunda candidata a subir ao palco. Antes, cantaram os gêmeos do Due Fratelli, Fabiano e Renato Banes Brunholi. A Sala Rubens Sverner
do Teatro Cultura Artística, estava lotada. O duo selecionou repertório daqueles que faz o público cantar junto (Tocando em Frente, de Almir Sater, Sina, de Djavan). Arriscou com "Amigo é pra Essas Coisas", de Sílvio da Silva Jr. e Aldir Blanc, maca registrada do MPB-4, e terminou com "Sangrando", de Gonzaguinha, obtendo os aplausos inevitáveis.
Mais surpreendente foi o Quarteto Shekhynah, com repertório resvalando no brega (Amor Perfeito, baladão da lavra de Sullivan e Massadas) e no pop abolerado digestivo (Como uma Onda, de Lulu Santos e Nelson Motta), mas tratando uma e outra com extrema dignidade, inventividade no desenho dos vocais, presença de cena alegre, descontraída, com destaque para a bela voz do tenor Augusto. Eles são sofisticados - aprendendo com quem, se não há mais grupos vocais na música popular - e inteligentes. Dominam o ofício e talvez precisem, apenas, de uma direção de palco - só mesmo para orientar as marcações. O Lata dágua (Luís Antônio e Jota Júnior) a capela encerrou a apresentação com brilho irresistível.
Rita Braga começou cantando Rosa Passos (Amorosa, com Fernando de Oliveira), bossa radical. Passou pelo choro e chegou ao samba, com "Eu, hein, Rosa?" Sua maneira de cantar lembra a de Leila Pinheiro, salve a boa influência, e a platéia demonstrou gostar. Mônica Salmaso cantou acompanhada só (mas é o bastante) pelo piano de Benjamim Taubkin. É a única cantora de sua geração - tem 27 anos - capaz de abordar clássicos e recriá-los de maneira a fazê-los seus. Enfrentou, por exemplo, a "Ave Maria no Morro", de Herivelto Martins. E cantou um samba enredo, "Ilú Ayê" (de Cabana e Norival Reis) acompanhando-se ao pandeiro. Não é certo que ganhe o Prêmio. Mas fique dito que é, hoje, a maior cantora do País.

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