Premier turco adverte Europa a não interferir no caso Ocalan
Ancara, 01 (AE-AP) - O primeiro-ministro da Turquia, Bulent Ecevit, ignorou hoje (01) as críticas européias sobre a sentença à pena de morte contra o líder rebelde curdo Abdullah Ocalan, dizendo que os esforços para influenciar os tribunais turcos terão efeito nulo.
A União Européia, cujos membros em sua totalidade aboliram a pena capital, advertiu a Turquia que o enforcamento de Ocalan poderia prejudicar a entrada do país no grupo. O líder curdo foi condenado à morte por um tribunal na terça-feira por traição e separatismo.
"A União européia nem mesmo nos aceitou como um sócio", disse Ecevit. "Nós não estamos na posição de tomar qualquer decisão política para agradar a União Européia", afirmou, entes de acrescentar: "Aqueles que tentam influenciar os procedimentos legais na Turquia enfrentarão a oposição da opinião pública turca".
As relações entre Turquia e UE estão deterioradas desde que os 15 membros europeus advertiram Ancara, em 1997, para melhorar sua situação em direitos humanos e solucionar suas disputas com a Grécia (sócia da UE) antes de se unir ao grupo.
Em resposta, a Turquia retaliou dizendo que não discutiria seus negócios internos, inclusive direitos humanos, com o EU.
As penas de morte na Turquia são imediatamente passíveis de apelação. Caso receba o sinal verde da máxima instância do país, o parlamento e o presidente Suleyman Demirel têm que endossar o veredicto. A Turquia não executa ninguém desde 1984.
Mais cedo hoje, Ecevit havia dito que seu governo estava pressionando o parlamento para a aprovação de uma lei destinada a encorajar rebeldes curdos a abandonar seus esconderijos nas montanhas do sudeste do país e entregar suas armas.
A denominada "lei do arrependimento" concederia indulgência a rebeldes que se rendessem e dessem informações às forças de segurança. Não é esperado que Ocalan se beneficie de tal uma lei.
Horas depois, entretanto, Ecevit retirou a lei ao saber que seus parceiros direitistas da coalizão governamental teriam retirado seu apoio ao projeto, informou a agência de notícias Anatólia.





