Porto Moresby, Papua Nova Guiné, 07 (AE-AP) - O primeiro-ministro de Papua Nova Guiné, Bill Skate, anunciou hoje (07) sua demissão do cargo. A decisão veio horas depois dele desencadear uma agitação internacional com o reconhecimento diplomático de Taiwan mediante ajuda financeira e dias antes da votação parlamentar que certamente provocaria sua saída. Skate, de 46 anos, tem sido acusado de corrupção e de ter ligações com gangues do país, conhecidas como "rascals". O primeiro-ministro disse que está deixando o governo num esforço para restaurar a estabilidade política e a confiança nos negócios do país. "Estou renunciando basicamente para estabilizar o cenário político", afirmou, acrescentando que entregaria sua carta na quinta-feira. Ainda não está claro quem assumirá o comando da nação, embora Skate tenha dito que, legalmente, poderá continuar no posto até o Parlamento - que retomará suas atividades no próximo dia 13 - escolher o novo primeiro-ministro. Nas últimas semanas, a coalizão multipartidária que dava sustentação ao governo de Skate - eleito primeiro-ministro após as eleições gerais de 1997 - fragmentou-se. O Movimento Democrático do Povo (PDM), que fazia parte dessa coalizão, deixou recentemente o governo para junta-se à oposição - que planejava mover uma moção de não-confiança no Parlamento. O líder do PDM, Sir Mekere Morauta, já afirmou que acredita ter o apoio necessário no Parlamento para formar um novo governo como primeiro-ministro. Morauta disse que, se for conduzido ao cargo, irá rever a decisão do governo que concedeu reconhecimento oficial diplomático a Taiwan em troca de ajuda financeira. Skate nega que sua renúncia esteja relacionada com essa medida, que provocou a fúria da China - que vê Taiwan como uma província renegada - e fortes críticas de seu principal parceiro, a Austrália. Na segunda-feira, Papua Nova Guiné tornou-se o 29º país a reconhecer o governo de Taipei, gerando reações internacionais. No entanto, tal medida foi vinculada à liberação de US$ 2,3 bilhões em ajuda financeira por parte de Taiwan, de acordo com documentos divulgados ontem (06) pela imprensa. Taipei nega essa informação. Os documentos, com data de 29 de junho, especificam o destino de cada centavo envolvido no acordo. Para obter o reconhecimento diplomático, o Banco Central de Taiwan compraria US$ 250 milhões em bônus de Papua Nova Guiné a taxas de juros abaixo do mercado. O BC taiwandês abriria ainda uma linha de crédito de US$ 100 milhões para o BC de Papua Nova Guiné. Um total de US$ 1,5 bilhão viria em forma de ajuda financeira, sendo que a metade seria liberada quando da assinatura do tratado estabelecendo as relações diplomáticas entre os dois países. E outros US$ 500 milhões em empréstimos para financiar o desenvolvimento.

mockup