Premier chinês adverte taiwaneses sobre independência
Premier chinês adverte taiwaneses sobre independência15/Mar, 18:14 Pequim, 15 (AE-AP) - O primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, denunciando a crescente preocupação da China pela possibilidade de o candidato pró-independência vencer a eleição presidencial de Taiwan no sábado, lançou hoje (15) uma dura advertência aos eleitores da ilha. Taiwan imediatamente repreendeu o líder chinês, alegando que ele não tem o direito de interferir na democracia da ilha. Aumentando seu tom de voz e com o dedo em riste, Zhu advertiu, durante uma entrevista coletiva, os eleitores taiwaneses a não votar por impulso e tomar uma decisão da qual eles não possam arrepender- se mais tarde. Ele não mencionou nomes, mas estava claramente se referindo a Chen Shui-bian, candidato do Partido Democrático Progressista, favorável à independência da ilha. Zhu repetiu a velha ameaça de Pequim de usar a força para impedir a independência de Taiwan e disse que aqueles que argumentam que a China não conta com os mísseis, navios ou aviões para invadir Taiwan leram mal a história. Ele acrescentou que os chineses estão dispostos a "derramar seu sangue" para evitar que a ilha obtenha sua independência. "Deixem-me aconselhar essas pessoas em Taiwan: não ajam por impulso no momento em que decidirem o rumo futuro que a China e Taiwan seguirão", disse Zhu após a sessão anual do Parlamento em uma entrevista coletiva transmitida ao vivo pelas redes de TV a cabo de Taiwan. O funcionário de mais alto cargo de Taiwan na China, Su Chi, disse que Zhu "não tem o direito de dizer nada sobre nossas eleições". Su também defendeu o direito democrático de Chen de defender a independência, apesar de o governante Partido Nacionalista (Kuomintang) "opor-se veementemente ao que o senhor Chen diz". O partido de Chen, que tem estado ansioso por enviar sinais positivos a Pequim, respondeu com cautela. "Os dois lados deveriam deixar espaço para as novas relações no futuro", disse um assessor do candidato da oposição. Os comentários do primeiro-ministro chinês parecem refletir o temor de que a campanha de Chen para pôr fim a meio século de governo nacionalista esteja ganhando terreno, já que Chen vem recebendo apoio de acadêmicos e importantes empresários. "Acreditamos na compreensão política do povo de Taiwan e confiamos que nossos compatriotas farão a escolha certa histórica", disse. Zhu acrescentou que a queda da Bolsa de Taiwan na segunda-feira "é um claro reflexo da preocupação pela agressão e arrogância das forças favoráveis à independência de Taiwan". O principal índice da bolsa taiwanesa sofreu uma de suas piores quedas pelo temor de que o já tenso relacionamento com a China piore. Segundo pesquisas, Chen Shui-bian está virtualmente empatado com o vice-presidente Lien Chan, do Partido Nacionalista, e com James Soog, ex-membro do Kuomintang que abandonou o partido para concorrer como independente. Chen pessoalmente abriu mão de uma posição linha dura com relação à independência para evitar assustar os eleitores. Nenhum dos três candidatos adota a idéia de Pequim de reunificação segundo a fórmula "um país, dois sistemas", sob a qual Hong Kong e Macau retornaram à soberania chinesa. Também durante a entrevista coletiva, Zhu exortou o Congresso americano a apoiar o acordo para o ingresso da China na Organização Mundial de Comércio (OMC) e advertiu que um fracasso sobre a questão seria de lamentar-se por mil anos. China e Estados Unidos chegaram ao acordo comercial com relação ao ingresso chinês na OMC em novembro, mas esse pacto deve enfrentar a aprovação final do Congresso.





