Premiê sérvio-bósnio e governo renunciam por determinação sobre Brcko
Sarajevo, 05 (AE-REUTERS) - O governo da República Sérvia, alinhado ao Ocidente na Bósnia-Herzegóvina, renunciou nesta sexta-feira (05) devido à decisão de um painel de arbitragem internacional de não conceder à entidade sérvio-bósnia a disputada cidade nortista de Brcko.
A renúncia do primeiro-ministro Milorad Dodik e de seu governo aprofundaram a crise política na parte sérvia do país, uma das duas entidades autônomas da Bósnia-Herzegóvina.
Isso também representa um recuo para os enviados de paz ocidentais que o apoiaram fortemente em sua disputa de poder com os ultra-nacionalistas nos últimos meses.
Nesta sexta-feira, o principal enviado ocidental à Bósnia, Carlos Westendorp, destituiu o presidente sérvio ultra-nacionalista Nikola Poplasen, o acusando de pôr em risco o frágil processo de paz. Poplasen e Dodik são adversários políticos.
Depois de uma reunião de emergência com o governo sérvio-bósnio, Dodik disse a jornalistas que renunciaria por "razões morais".
Dodik, que chegou ao poder no fim do ano passado, disse que o painel de arbitragem não reconheceu o que o governo fez por Brcko ao tomar sua decisão. "Eu sinto-me responsável por esta decisão e é por isto que renuncio."
O tribunal de arbitragem presidido pelo advogado norte-americano Robert Owen decidiu hoje cedo que Brcko seria um distrito autônomo que ficaria sob supervisão internacional.
O painel optou pela alternativa de distrito ao invés de dar a cidade na fronteira com a Croácia para alguma das entidades bósnias: a Federação Muçulmano-Croata e a República Sérvia. Ambas queriam Brcko.
Westendorp destituiu Poplasen devido à sua recusa em nomear Dodik para mais um mandato no cargo após as eleições de setembro. O governo de Dodik tinha poder de zelador.
Poplasen disse que não aceitaria sua destituição e disse que o povo deveria decidir sobre o assunto em um referendo.
O líder parlamentar Petar Djokic convocou uma sessão de emergência do parlamento sérvio-bósnia para domingo para debater a situação política.
Seu Partido Socialista, membro da coalizão Sloga - alinhada ao Ocidente -, criticou duramente a determinação sobre Brcko assim como a demissão de Poplasen.





