Começou este mês e segue até setembro o período de circulação do chamado Vírus Sincicial Respiratório (VSR), considerado o principal responsável por problemas respiratórios em bebês e crianças com até dois anos. Mas um grupo de risco - prematuros, portadores de cardiopatia, ou com doença pulmonar crônica decorrente da prematuridade - pede especial atenção e imunização contra esse vírus. A recomendação é da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).
O pediatra Renato Kfouri, diretor da Sbim, explica que este é um vírus de circulação sazonal, que em crianças com mais de dois anos e adultos causa apenas um resfriado comum. Já nas menores de dois anos, ataca os brônquios, causando doenças respiratórias mais sérias. ''É a principal causa de doenças respiratórias que levam à internação de menores de dois anos - mais que o vírus da gripe ou de infecções causadas por bactéria'', ressalta.
No grupo de risco, as complicações podem ser ainda maiores, alerta o médico. Nesse grupo o vírus pode dobrar o tempo de permanência da criança no hospital e em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) por problemas respiratórios, além de ser responsável por constantes re-internações, número que pode chegar a dez vezes mais do que em bebês nascidos a termo. ''Do total dos bebês infectados pelo VSR, 30% terão sequelas importantes por longo prazo, com chiados recorrentes'', adverte Kfouri. Chiado que pode acompanhar a criança até aproximadamente os 10 anos de idade.
Para prevenir a infecção por VSR no grupo de risco, a SBIM e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendam a administração de anticorpo monoclonal humanizado (palivizumabe), que atua diretamente na glicoproteína do vírus. É aplicado via intramuscular, por cinco meses consecutivos no período reconhecido como de alta circulação do vírus.
Outras medidas preventivas são evitar aglomerações, ter cuidados ao manusear objetos do bebê (em superfícies não porosas, o VSR sobrevive por mais de 24 horas e nas mãos por mais de uma hora), evitar contato de bebês com crianças mais velhas e adultos com sinais de resfriado ou gripe e evitar contato com fumantes e ambientes poluídos.
Em São Paulo a imunização é feita gratuitamente pela Secretaria de Saúde do Estado para crianças menores de um ano que nasceram prematuras (idade gestacional igual ou inferior a 28 semanas), após a alta hospitalar, ou crianças menores de dois anos de idade consideradas de risco. O ideal, segundo a Sbim, é que a imunização para esse grupo fosse gratuita em todo o país.

Serviço:
Mais informações no site www.sbim.org.br

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