Lisboa, 8 (AE) - Prejuízos na Companhia Energética do Rio de Janeiro (Cerj) e na Bandeirante foram os responsáveis pela metade da queda de US$ 58 mimlhões nos resultados operacionais do primeiro semestre do grupo português EDP. "A Cerj e a Bandeirante tiveram perdas de US$ 9,5 milhões e de US$ 19,5 milhões, respectivamente", disse Mário Cristina de Sousa, presidente do Grupo EDP.
O resultado operacional da empresa no semestre foi de US$ 519 milhões, ante US$ 577 milhões no mesmo período de 98. Já o lucro líquido da companhia, caiu de US$ 32 milhões no primeiro semestre de 1998 para US$ 26 milhões no semestre passado. Apesar da queda, Sousa acredita que o recente reajuste de tarifas - decidido em junho e que entrou em vigor no segundo semestre - permitirá a recuperação dos prejuízos. "A compra de energia de Itaipu é feita em dólares, mas as tarifas permaneceram estáveis, em reais, até o final do semestre", explicou Sousa.
Ele evitou fazer previsões para o segundo semestre. "A Comissão de Valores Mobiliários não permite apresentar previsões
mas há ainda indeterminação quanto ao Cofins, que estamos decidindo se vamos ou não vamos pagar", explicou.
Os recursos para o pagamento, no entanto, já estão sendo provisionados. Atualmente, a EDP tem participação na Cerj, Bandeirante, Excelsa e Enersul. Ao todo, as quatro empresas vendem 38.466 gigawatts/hora - mais do que o consumo português - e atendem 4,87 milhões de clientes, representando 12,6% do mercado brasileiro.
Excelsa - Em relação à última aquisição do grupo, a Excelsa, Sousa afirmou que a EDP vai mexer na direção executiva colocando dois membros: "A princípio serão duas pessoas, para assegurar o acompanhamento operacional das áreas técnicas das empresas".
Para a compra a Escelsa, a EDP lançou uma revolving facility - empréstimo de curto prazo - no valor de 500 milhões de dólares, que será transformado em dívida de médio prazo através da emissão de obrigações. "Nosso rating foi ótimo, o mesmo da República, e a capacidade de endividamento é de 1,5 a 2 bilhões de dólares. Vamos usar apenas 500 milhões neste momento", conta Sousa.
Segundo Sousa, com esta capacidade de endividamento, significa que a empresa tem margem para entrar em outros investimentos. "A tendência natural no Brasil é passarmos para a geração de energia".
Inicialmente, a previsão é de que a entrada na geração seja através da construção de usinas. "Vamos estudar investimentos de raiz hídrica ou de produção térmica. Temos a usina de Lajeado em curso. Mas se surgir alguma oportunidade poderemos analisá-la."
Sousa diz que o objetivo é atuar tanto na área da distribuição como de geração: "Atuando nos dois lados, teremos oportunidades de ganhar um hedge".
O presidente da EDP desmentiu também que a empresa esteja em ruptura com a Iberdrola e que haja mudanças no quadro acionista da Cerj. "O contrato prevê a manutenção da estrutura durante cinco anos, dos quais passaram três. Eles não participaram da compra da Excelsa porque foi através de negociação direta, o que é muito complexo e muito complicado. Não poderia haver duas empresas".
Saneamento - Na apresentação dos resultados, a EDP anunciou a criação de uma holding para atuar no setor de águas em Portugal, América Latina e norte da áfrica. "Vamos atuar em conjunto com a empresa britânica Thames Water", conta Sousa.
Segundo Sousa, no Brasil, a empresa deverá concorrer para pequenas concessões. "Nada da dimensão da concorrência para Santiago do Chile, que perdemos. Serão pequenos municípios". A atuação na área de água e saneamento surge da experiência na capital chilena.
Apesar das pressões existentes sobre o real, Sousa afirmou que o grupo ainda não está se defendendo da possibilidade de mais uma queda da moeda brasileira: "Não começamos a fazer hedging. Nossos especialistas acham que o real está muito oscilante e não é o momento".
Telecom - Em Portugal, o grupo EDP está entrando na área de telefonia. Participa com 25% no capital da empresa de celulares Optimus, o terceiro operador do país, e a partir de janeiro inicia as operações em telefonia fixa, com a operadora E3G. "Estamos procurando um parceiro internacional nessa área."

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