Prejuízo político faz pepebistas admitirem CPI dos fiscais
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domingo, 07 de fevereiro de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 07 (AE) - Preocupados com o prejuízo eleitoral que a suposta ligação entre alguns fiscais presos nos últimos dias e vereadores do PPB poderá causar na próxima eleição, os parlamentares governistas estão procurando formas de dar uma resposta à opinião pública e coibir o suposto esquema de cobrança de propinas por fiscais das administrações regionais da capital paulista.
A maioria dos parlamentares da base de apoio do prefeito Celso Pitta (PPB) quebrou o silêncio e começou a admitir publicamente a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Administrações Regionais. O vereador Miguel Colasuonno (PPB), que no início da semana disse ser contrário à aprovação da CPI das Regionais pedida pelo vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT), afirmou hoje que a comissão não só tem de ser aprovada como deve ser presidida pelo vereador do PT.
"Se não fizermos isso e não assegurarmos o acompanhamento direto do Ministério Público, ninguém vai acreditar em nada", disse Colasuonno. Ele garantiu também ter desistido de controlar politicamente uma administração regional e promete passar a defender uma idéia mais radical: a extinção das regionais.
"Tive de mudar de posição com relação à CPI porque as investigações estão avançando muito e revelando uma estrutura podre, que mancha o nome dos bons servidores", destacou Colasuonno, que não apoiou iniciativas anteriores. "Nunca houve uma investigação tão profunda", justificou.
"Devolução" - Os parlamentares já falam em "devolver" as regionais, mas até hoje o único que pôs sua regional à disposição do governo foi Paulo Frange (PPB). Ele prometeu, também, renunciar ao controle político do módulo do Plano de Atendimento à Saúde (PAS) de Pirituba, na zona oeste.
Bruno Féder (PPB), que garante não controlar mais a Regional da Vila Mariana, fez um pronunciamento no plenário pedindo aos colegas que "entregassem" as regionais que detêm. A proposta, por enquanto, não surtiu efeito.
A bancada do PPB controla politicamente 66,7% das 27 administrações regionais existentes na cidade. Antes de Carlos Augusto Meinberg assumir a Secretaria do Governo Municipal, em substituição a Edevaldo Alves da Silva, puniam-se as reações contrárias ao governo com a perda da regional.
Um exemplo recente foi Paulo Roberto Faria Lima (PPB). Ele controlava a Regional de Pinheiros, mas a perdeu depois de criticar o então secretário municipal da Saúde, Massato Yokota, em plenário. Em seguida, Faria Lima liderou a organização do bloco dos "rebeldes", que exigiu o impeachment de Celso Pitta (PPB). Os "rebeldes" desistiram do processo porque não tinham votos suficientes para forçar o afastamento do prefeito.
CPI - A intenção dos governistas é fazer aprovar uma CPI retroativa a até 20 anos, para cutucar a administração do PT em São Paulo, dificultar os depoimentos e a reunião de provas. Hoje
alguns vereadores já comentavam a possibilidade de a comissão aprovada investigar somente as Administrações Regionais de Pinheiros, Penha e Sé.
O requerimento da CPI das Regionais foi feito em dezembro pelo vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT). No entanto, se os governistas conseguirem aprovar outro requerimento, a oposição não terá mais o controle da comissão.
Em qualquer dos casos, a bancada chefiada pelo PPB, por ter maioria na Câmara, indicará a maior parte dos membros da comissão. O próximo passo dos parlamentares será definido amanhã (08), pois o presidente da Câmara, Armando Mellão, convocou reunião com a bancada governista para decidir como será encaminhada a sessão de terça-feira.
Controle - Os vereadores do partido do prefeito Celso Pitta e do ex-prefeito Paulo Maluf, o PPB, controlam 66,7% de todas as administrações regionais da cidade de São Paulo. Das 27 regionais, 18 são controladas pelos pepebistas e até Domingos Dissei, que se licenciou da Câmara para assumir a Secretaria das Administrações Regionais, continua comandando politicamente a Administração Regional do Ipiranga.
Dissei foi administrador reginal do Ipiranga e elegeu-se vereador, em grande parte por causa do trabalho desenvolvido na região. Depois de tomar posse, ele manteve o controle político indicando o administrador regional.
A prioridade nas indicações dos administradores regionais é estabelecida de acordo com a representatividade parlamentar. As maiores bancadas normalmente conquistam o maior número de indicações.
As nove administrações regionais restantes foram divididas entre as bancadas do PFL, PL, PTB e PMDB. Na prática, os vereadores dizem que as regionais garantem um atendimento mais eficiente nas regiões em que concentram suas avidades políticas e transformam em redutos eleitorais.


