Rio, 28 (AE) - O Sindicato de Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Rio de Janeiro calcula que o prejuízo dos postos de gasolina com a greve dos caminhoneiros pode chegar a R$ 9 milhões por dia. O presidente do sindicato, Ricardo Lisbo Viana, estima que o estoque dos postos deva acabar amanhã (29), com o setor operando com apenas 20% de sua capacidade normal.
Um estudo feito pelo sindicato mostra que a situação é mais grave na Baixada Fluminense, Niterói e São Gonçalo, regiões onde os postos já operaram hoje quase desabastecidos. Segundo ele, apenas a Região dos Lagos tem estoque suficiente para atender aos consumidores até sexta-feira. "Estamos muito preocupados, a situação está ficando cada vez mais crítica", desabafou Viana. "Nos postos que têm gasolina, acabou o diesel ou o álcool, todos estão desabastecidos em algum produto." O presidente lembra que os juros elevados levaram os donos de postos a reduzir o volume de estoque nos últimos anos. "Os donos de postos estão muito descapitalizados", explicou o presidente. "Atualmente, o estoque dá apenas para atender o consumo de três dias, antes o estoque dava para comportar sete dias sem abastecimento de combustível." Em outros setores, também há perigo de desabastecimento.
Segundo a White Martins, o bloqueio de estradas está afetando o transporte de oxigênio e outros gases medicinais para os hospitais.
Alimentos - A greve provocou estragos no abastecimento de frutas, legumes e verduras. O presidente da Associação Comercial dos Produtores e Usuários da Ceasa, Valdir de Lemos, calcula que o abastecimento da Ceasa esteja 70% abaixo do nornal
o que significa que 4,2 mil toneladas de alimentos deixaram de chegar ao estado. Ele estima que os prejuízos podem chegar a R$ 1 milhão por dia. Segundo Lemos, se a situação não se normalizar
o consumidor não vai encontrar morangos, ovos e laranjas amanhã nos supermercados e feiras do Rio de Janeiro. A maiores perdas são de produtos agrícolas provenientes de São Paulo e Sul de Minas.
Lemos revela que, dos 80 caminhões que chegam diariamente para abastecer o consumo de batatas, apenas 27 conseguiram furar o bloqueio dos grevistas. No caso do morango a situação é pior. Apenas um caminhão conseguiu chegar à Ceasa com o produto, esse número é de 10 em um dia normal. O presidente revela que para enviar as mercadorias, os produtores estão exigindo dos comerciantes uma garantia de pagamento mesmo que as mercadorias sejam perdidas no caminho em função da greve.
Com isso, os próprios comerciantes estão preferindo suspender as encomendas. A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) informou que a greve está prejudicando o transporte de trigo para os moinhos e a entrega de farinha aos supermercados e padarias. O moinho do Grupo Buaiz em Três Rios, por exemplo, está quase paralisado, porque não há mais espaço para guardar farinha.

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