Prejuízo anual com roubo de medicamentos chega a US$ 200 milhões
Prejuízo anual com roubo de medicamentos chega a US$ 200 milhões15/Mar, 21:43 Por Chico Araújo Brasília, 15 (AE) - O mercado farmacêutico tem um prejuízo de US$ 200 milhões (R$ 348 milhões) em seu faturamento anual com o roubo de cargas de remédios nas rodovias do País. No ano passado, o setor faturou US$ 10 bilhões (R$ 17,4 bilhões) no mercado brasileiro. A revelação foi feita hoje pelo vice-presidente da Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico (Abafarma), Jorge Froes de Aguilar, em depoimento à CPI dos Medicamentos, que decidiu aprofundar as investigações sobre roubo de carga. Aguilar afirmou desconhecer o destino dos remédios roubados. Mas a CPI já tem indícios de que as próprias distribuidoras seriam coniventes com o roubo de medicamentos. O presidente da comissão, deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS), disse que as evidências desse envolvimento foram reforçadas, hoje, com o depoimento do presidente da Distribuidora Panarello Farmacêutica Ltda., Paulo Panarello Filho. A CPI decidiu reconvocar Panarelo para novo depoimento. O anúncio foi feito pelo presidente da CPI após a comissão analisar documentos que a empresa entregou explicando a sua estratégia de distribuição de medicamentos no País. Marchezan considerou insuficientes as explicações de Panarello, para esclarecer questões delicadas da ditribuição de remédios, como o roubo de cargas roubadas. A distribudora Panarello, que faturou R$ 1,5 bilhão, no ano passado, também está na mira da CPI do Narcotráfico por aparecer como vítima frequente do roubo de cargas de remédios. A CPI acha estranho o fato de a distribuidora, apesar dos roubos frequentes de cargas, não fazer seguro e nem saber do paradeiro dos medicamentos. "É impossível entender que uma empressa não proteja seu próprio patrimônio", estranha Marchezan. Os deputados também ficaram intrigados com o fato de a Panarello não discriminar, nas notas fiscais dos remédios que vende, o número dos lotes dos medicamentos. Além de uma exigência da lei, a discriminação do lote facilitaria a localização da carga roubada. Ao defender-se na comissão, Paulo Panarelo justificou não fazer seguro porque as taxas cobradas pelas seguradoras são elevadas. Apesar disso, ele defendeu abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar denúncias sobre o seu suposto envolvimento com cargas roubadas de remédios, feitas hoje pelo deputado Robson Tuma (PFL-SP), antes do início da sessão. Paulo Panarello, por intermédio da sua assessoria, contesta a suspeita de Tuma. Ele lembra que a empresa existe há 25 anos e não existe nenhum boletim de ocorrência ligando a distrituidora ao roubo de cargas. Para Panarello, a "disputa por holofotes" levou Tuma a fazer a denúncia contra a empresa. Tuma ainda acusa a distribuidora de sonegar impostos. Segundo ele, a Panarello foi multada recentemente em R$ 110 milhões pela Receita. A distribuidora, além de negar a sonegação garante estar recorrendo contra a multa na Justiça. O presidente Paulo Panarello garantiu à comissão que a distribuidora recolheu nos últimos cinco anos, mais de R$ 500 milhões em impostos ao fisco. Nicéa - A CPI enviou hoje uma comissão de deputados a São Paulo para coletar informações no Ministério Público estadual referentes às denúncias da ex-mulher do prefeito Celso Pitta, Nicéa, sobre a compra superfaturada de medicamentos pela Prefeitura.





